domingo, 11 de setembro de 2011

José Saramago - Poema à boca fechada



Poema à boca fechada


Não direi:

Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,

Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:

Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,

Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,

Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.
 

5 comentários:

Luar disse...

Mesmo que não me vejas, estou sempre cá!
Mana...muita força, e a minha amizade sempre!

Gosto tanto, tanto de ti.

Beijo

Patrícia Pinna disse...

Boa tarde,Analuz.O seu blog inteiro é interessante demais!Cada postagem merece um comentário.
As palavras são como uma navalha em muitas bocas, pois são perigosas ao extremo.Em outras, o dizer manso e sero, alivia um coração.
Quando falamos muito, corremos o risco de pecar.
Bem, então eu acho que peco, pois sou muito sincera!Rs!A maioria de nós não está preparado para ouvir verdades, elas doem, mas são necessárias.
Porém, o falar pouco, é uma sabedoria.
Beijo grande!Tem comentário abaixo.
Fique com Deus, e tudo dde bom!

Luar disse...

Mana

Não sei porquê mas não consigo comentar no teu novo blog. Nem abre a caixa de comentários.
Sabes...comprei o 3º livro de Kryon na Festa do Avante. Já tinha os outros e de repente dou por ti a postar sobre Ele, que não é muito divulgado.
Andas sempre muito à frente e em sintonia comigo.
Adoro-te!

P.S. Também não dá para ver as fotos do novo blog, não sei se é do meu portátil.

Vera Lúcia disse...

Olá querida,
Forte este poema de Saramago.
Estou passando aqui primeiro, para dar uma espiadinha, mas estou indo conhecer o seu novo blog.
Beijos.

Arione Torres disse...

Oi minha linda, adorei o poema, desejo que seu final de semana seja de felicidades, bjus...

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domingo, 11 de setembro de 2011

José Saramago - Poema à boca fechada



Poema à boca fechada


Não direi:

Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,

Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:

Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,

Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,

Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.
 

5 comentários:

Luar disse...

Mesmo que não me vejas, estou sempre cá!
Mana...muita força, e a minha amizade sempre!

Gosto tanto, tanto de ti.

Beijo

Patrícia Pinna disse...

Boa tarde,Analuz.O seu blog inteiro é interessante demais!Cada postagem merece um comentário.
As palavras são como uma navalha em muitas bocas, pois são perigosas ao extremo.Em outras, o dizer manso e sero, alivia um coração.
Quando falamos muito, corremos o risco de pecar.
Bem, então eu acho que peco, pois sou muito sincera!Rs!A maioria de nós não está preparado para ouvir verdades, elas doem, mas são necessárias.
Porém, o falar pouco, é uma sabedoria.
Beijo grande!Tem comentário abaixo.
Fique com Deus, e tudo dde bom!

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Mana

Não sei porquê mas não consigo comentar no teu novo blog. Nem abre a caixa de comentários.
Sabes...comprei o 3º livro de Kryon na Festa do Avante. Já tinha os outros e de repente dou por ti a postar sobre Ele, que não é muito divulgado.
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Adoro-te!

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Vera Lúcia disse...

Olá querida,
Forte este poema de Saramago.
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