quinta-feira, 30 de junho de 2011

Minha prisão é aqui




livre

quero ser, livre...

sentir-me livre, liberar

esta prisão que sinto dentro, que não consigo ultrapassar...

sentir a liberdade, dentro mim, na alma, no meu ser, que sou EU

livre, quero ser livre, e encontrar o rumo, a estrada que perdi 

que tinha em mente, quando nasci, aqui vim, aqui entrei, neste mundo !!

livre, para poder, escolher, voar, atravessar, o caminho por mim escolhido

que não os rumos nesta vida que me foi imposta!!

e sinto-me acorrentada, dia a dia,

por tudo, por todos ...

por ver limitadas as minhas escolhas

por não ter a liberdade de escolher o caminho que minha alma se propos

quando aqui nasci ...

e presa, amarrada, limitada,

numa prisão irreal/real, de mim mesma

numa prisão apartada, do mundo, e com o mundo

e que sinto dentro, segundo a segundo, respiração adentro

no pulsar, e em cada batida do coração meu

busco, e contínuo a busca, exasperadamente. a saída, a porta, o portão

que não encontro, até ora não encontrei, aqui,

para me encontrar a mim mesma

para sentir quem realmente sou, o que sou, sempre ... e sempre fui

e poder voar

neste mundo

e conseguir voltar àquele que sempre pertenci ....






Analuz

quarta-feira, 29 de junho de 2011

ADEUS MIÚDO




e a vida aqui se foi...

para ele, que despelotava juventude, força, beleza, carisma, talento ...




e aqui a vida se foi

num momento, segundos, fugaz

sem sequer dar tempo a pensar!!

sem sequer dar tempo a saber, porquê

porque acabou assim!!

porque tudo acabou, aqui!!





e num segundo a vida se foi

mas, acredito,

já lá estás, vendo-nos, vendo

tudo que por ti fizeram, por ti clamaram, rogaram,

nestes últimos momentos que estivestes preso à vida, por um fio invisível,




e sei, agradeçes, eu sei,

e que queres gritar, heiii, eu estou bem eu estou aqui, agora,

e dizes, adeus, e choras, na tua Alma, despedindo-te daqueles que mais amas

daqueles que amastes!!

e de alegria, também choras, eu sei

por saber, aquilo que não sabemos ainda, mas tu já sabes





que todos nos vamos reencontrar, um dia ...


Adeus ANGÉLICO














Mais um selinho

recebi do meu blog amigo Valter Montani este selo.
agradeço aqui ter-me entregue, o que me fez sentir orgulhosa!!

abraço Valter Montani!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Como um Lobo




a noite é meu refúgio


é nela que me sinto viva, bem,


é nela que consigo viver algo, da vida


por ser negra, escura,

por saber que nesta hora muitos dormem, estão apagados, e não sorriem


não saboreiam a vida, num dormir, que os apaga...


e com eles, nestes momentos, me assemelho, 


num dúo contraditório, num não viver, deles,


num viver meu...

e na noite, sinto a vida pulsar, as forças voltar, como um lobo que sai à noite e uiva ...


uiva para se fazer ouvir, para se fazer valer, neste mundo

para mostrar que está vivo e que ele reina, nesses momentos de escuridão

e a noite se me mostra

amiga, conselheira, 


libertadora, de meus medos, de minhas limitações


quem me dera que o dia se tornasse noite, noite que me abarca


me trasmporta


chega ao ponto de me fazer sonhar


com tudo aquilo que não vivi, não senti, não alcançei ...


e pergunto-me, o que ela me traz para eu ser tão devota dela?!!


a paz, a candura, a sensualidade que sinto na pele, a solidão, acompanhada por mim


só por mim, e pelos meus sonhos


que me fazem viver, por momentos que passo nela


e forças me dá, para prosseguir, mesmo sem forças...


em mais um dia, de Luz, de sol, que me encandeia e me faz exasperademente


suplicar, rogar, que chegue mais uma noite ...


para sentir, em poucos momentos, breves, com ela, como ela é,  junto a ela,


que ainda estou viva !!!






http://analuz-oquecalonaalma.blogspot.com/

domingo, 26 de junho de 2011

Anjos




sinto a dor, de cada um, no seu olhar ...


e custa, como custa!!


quando me cruzo com eles, a vida me faz cruzar,


sinto a sua entrega, total, o seu coração pulsar de alegria, de esperança, de agradecimento


e de súplica...


quando e apenas, lhes afago o pêlo, 


e são tantos, sós, abandonados, a si próprios, à sua vida limitante .... pelo homem


olho no olho, vejo a pureza que nunca encontrei, nunca, num ser da minha raça... nunca ...


e sonho, sempre sonho, e grito de dor por dentro nar impossibilidade, de abarcá-los todos no meu ser, num lar feito só para eles, para poderem viver a vida, como Deus sempre quiz que eles vivessem, 

entendessemos, aprendessemos, com eles ...


e, assim demonstrar ao mundo, mundo inteiro, que eles são, sempre foram, seres de Luz e de pureza que vieram demonstrar ao mundo que nada mais vale a pena que a entrega absoluta sem compensações,  sem retornos, apenas e simplesmente,  amar .. como eles amam ... a quem, lhes entrega a Alma... e a quem os mal trata .....






Analuz

sexta-feira, 24 de junho de 2011

LEIS CÓSMICAS BÁSICAS




     Desde os mais remotos tempos, o Ser Humano vem tentando desvendar o mistério de como se originou o Homem e o Universo.
     Muitas foram às teorias levantadas, que vão desde o materialismo até o espiritualismo, do espiritualismo ao materialismo, sem que os mestres dessas “Doutrinas” percebam a necessidade de se buscar a harmonia e o equilíbrio numa visão mais racional e científica da realidade.
     Hoje, as ciências mais avançadas no estudo do Micro e Macrocosmo, das partículas subatômicas às galáxias e à expansão do Universo, apresentam-nos um novo conceito de Cosmo.
     A descoberta das partículas subatômicas conduz o pensamento humano à compreensão, à descoberta de que tudo é energia – a matéria não existe.
     O Universo é a expressão de um pensamento.
     A matéria, sendo energia que assume as formas criadas por um pensamento, é elemento sujeito às do pensamento ou da mente.
     Portanto, as leis que comandam o Universo ou LEIS CÓSMICAS confundem-se(são as mesmas)  com as LEIS MENTAIS.
     A divisão ou a união entre matéria e espírito que tanto preocupou pensadores, cientistas e sábios do passado parece desvendar-se agora.
     Não há uma real distinção entre matéria e espírito.
     A matéria não existe, o que existe é energia, assumindo a forma do pensamento.
     Essa verdade se explica a lei mental maior – a Lei da Criação: Só se expressa no exterior o que já é no interior.
          A maior lei mental é a Lei da Criação. Esta é a lei que fundamenta o poder criador do Subconsciente.
     “Só se expressa no exterior o que já é no interior”.
     Tudo o que existe, existe na realidade exterior, física, objetiva, visível, porque já existiu antes no pensamento, na mente de alguém. Assim como a casa ou o edifício existe e foi construído porque, um dia, existiu na mente de um engenheiro ou arquiteto. Primeiro existiu sua imagem mental, depois existiu a Imagem física – “o pensamento assumiu forma”.
     O Ser Humano, por seu Pensamento, sua Mente, está integrado, unido ao Pensamento Cósmico que gerou o universo.
     Você cria o mundo, saiba ou não saiba, queira ou não queira, perceba ou não, você está acionando a Lei da Criação para destruir ou construir, para gerar um mundo perturbador ou um mundo benéfico e de felicidade.
     Você pode fazer seu mundo ser melhor.
     Participando construtivamente da criação em sentido positivo, em seu benefício e dos outros seres.
     Como acabamos de ver, a Lei Mental Maior é a que dá origem ao Universo, ao Cosmo. É a Lei da Criação.
     O Ser Humano é chamado a participar como Co-Criador do Universo. Universo inacabado em seus detalhes, e do qual o Ser Humano pode e precisa participar como co-criador, para ser feliz.
     A Lei da Criação é a Lei Mental Maior – comanda a criação de nossa realidade existencial, os fatos de nossa vida, os fenômenos paranormais e normais, manifestações que conduzem ao “vir-a-ser” do Ser Humano.
     Por isso, a Lei da Criação pode impor-se a qualquer outra Lei Cósmica, mesmo as básicas.

Raquel Mazera Poffo

Breve texto do Livro: O extraordinário poder da intenção




Noventa e nove por cento de qualquer criação são concluídos antes que você observe qualquer evidência dela


Você agora está consciente de que é somente você quem atrai ou cria a sua própria experiência. Acreditamos que já compreende, com mais clareza do que antes, como é que cria, porque passou a perceber que está continuamente transmitindo um sinal vibrátil, que é o seu ponto de atração.
Esperamos que você também esteja consciente da existência do Sistema de Orientação Emocional que indica o relacionamento vibrátil entre o seu pensamento direcionado em determinado momento e a vibração do seu desejo. Você pode literalmente sentir quando está se aproximando ou se afastando de alguma coisa indesejada.
Ficamos contentes por você agora compreender, ou pelo menos estar começando a compreender, que pode iniciar qualquer jornada a partir de onde está para onde deseja ir. A sua jornada para o sucesso, seja ele qual for, não precisará nunca mais ser confusa ou desconcertante, porque sinais emocionais claros estarão presentes para conduzi-lo para tudo o que você deseja.
Todos os seus dias serão formados por momentos estimulantes e interessantes, por pensamentos provocadores que o levarão, esteja você consciente ou não do que está fazendo, a emitir sinais vibráteis que são lançados para o seu futuro. Esses sinais vibráteis são responsáveis por tudo o que lhe acontece.
Qualquer circunstância, um acontecimento, um encontro com qualquer pessoa – tudo o que vivencia é causado por aquilo que você vem pensando, indagando, ponderando, lembrando, observando, considerando e imaginando. Você está literalmente concebendo a criação da sua vida.
Ficamos extremamente satisfeitos por você agora compreender a importância de tomar consciência das suas emoções, porque elas o ajudam a perceber – enquanto você está lembrando, ponderando, observando ou imaginando – se está construindo o seu futuro com alguma coisa de que gostará ou com algo de que não gostará. E como 99% de cada criação são concluídos antes que você seja capaz de observar qualquer evidência física dela, é extremamente importante compreender a cada momento o que suas emoções estão lhe dizendo sobre a direção de seus pensamentos.
Ao utilizar o seu Sistema de Orientação Emocional, você poderá direcionar seus pensamentos para coisa agradáveis antes de elas se manifestarem. Se esperar que uma manifestação ocorra para então começar a redirecionar seus pensamentos, o processo ficará muito mais difícil, porque quando uma coisa indesejada se manifesta é muito mais trabalhoso concentrar-se naquilo que é desejado.
Quando em determinado momento você aceita que está no processo de criar coisas que se manifestarão na sua experiência e que está deliberadamente direcionando seus pensamentos para idéias que o façam sentir-se bem, a sua experiência futura estará repleta de experiências que o encantarão quando se manifestarem fisicamente.
Este livro (O extraordinário poder da intenção) foi escrito para ajudá-lo a ter uma percepção consciente das coisas que ainda não vê, mas que está no processo de criar. Não acreditamos que você deliberadamente escolheria atrair um câncer, um acidente de carro, um desastre financeiro ou um divórcio para a sua experiência. Mas, como tantos pensamentos sobre essas questões ocupam freqüentemente sua mente sem que tome consciência de que os está oferecendo, muitas vezes você se surpreende quando uma coisa indesejada ocorre. Às vezes ela parece ter saído do nada. Mas ela não saiu do nada e não ocorreu instantaneamente. Ela aconteceu, finalmente, depois que os muitos pensamentos que você irradiou encontrarem equivalentes vibráteis.
Agora, depois de ler este livro, você não se surpreenderá mais quando coisas boas ou más se manifestem. Porque esperamos que sempre que se concentrar num pensamento você estará consciente da emoção correspondente e saberá se ela indica que está se aproximando ou se afastando daquilo que quer. Daqui em diante, desejamos que você tome ciência do relacionamento vibrátil entre o seu agora e a sua futura criação.
Você sabe que se encontra na extremidade da Escala de Orientação Emocional que indica paixão, alegria, valorização e amor porque percebe sua autoconfiança e liberdade. E sabe que se encontra na extremidade que indica depressão e medo porque percebe sua perda de autoconfiança e seu aprisionamento.
Você agora compreende que a única coisa que pode impedi-lo de ter a alegre abundância de todas as coisas boas que deseja é a sua própria oferta vibrátil que o leva em direção oposta a essas coisas.
Você agora sabe que suas emoções maravilhosas o estão ajudando a estabelecer sua rota sobre todos os assuntos e que, ao seguir a trilha povoada por emoções cada vez mais agradáveis, você lançará foguetes vibráteis para o seu futuro, e este lhe trará um constante fluxo de criações adoráveis.
Agora, quando sentir a frustração aumentar – ou a impaciência ou a raiva surgir -, você será capaz de constatar e refletir: Qual é a vibração que estou lançando neste momento? Vou parar um instante, redirecionar meus pensamentos e mudar o curso de minha provável manifestação. Não vou deixar meus pensamentos me dominarem – apoiados pela Lei da Atração – e simplesmente viver as conseqüências da falta de controle e de rumo dos meus pensamentos.
Embora você possa mudar qualquer experiência a qualquer momento, mesmo depois que ela se manifesta nós o incentivamos a efetuar essa mudança enquanto a experiência está sendo vibratilmente formada – porque é muito mais fácil. Sobretudo, queremos que você considere os milhões e milhões de momentos da sua verdadeira experiência de vida que podem estar lhe fazendo se sentir bem neste momento.
Sim, é claro, a manifestação virá, boa ou má. Desejada ou indesejada, ela está a caminho. Mas a sua vida se encontra no agora, as suas emoções estão no agora e a maneira como você está se sentindo se encontra no agora. Direcione seus pensamentos para melhorar o seu momento atual – e as manifestações cuidarão de si mesmas.
A partir de nosso ponto de vista Não-Físico, nós gostamos muito de observar a vida de vocês desabrochando. Se você pudesse ver o seu futuro como nós o vemos, perceberia que há coisas, desejadas e indesejadas, que estão se formando neste exato momento, bem à sua porta. E hoje, amanhã ou depois de amanhã, irá acrescentar mais um pensamento, mais uma vibração direcionada para o que já está no futuro que causarão o ponto de inclinação ou manifestação para você. Portanto, realmente vale a pena sintonizar o seu glorioso Sistema de Orientação Emocional para se conscientizar do que está prestes a se manifestar.
Você veio ao mundo nesse corpo, voltado para essa realidade tempo-espaço, porque adora criar. Para você, em todo o Universo não há nada mais agradável do que moldar, com o poder da sua própria concentração, a Energia que cria mundos.
Você não veio ao mundo para remendar um mundo quebrado, porque o seu mundo não está quebrado.
Você não veio ao mundo para ajudar os outros a verem os erros de seus caminhos e redirecioná-los.
Você não veio ao mundo para obter a aprovação de outras pessoas.
Você veio ao mundo para sentir, com excitação, as suas próprias preferências nascerem. Veio ao mundo compreendendo que poderia então sentir o relacionamento vibrátil entre o seu novo desejo e a sua atual perspectiva e ansiosamente aguardar o processo de equilíbrio de Energia desses dois pontos vibráteis.
É claro que você aguardava com ansiedade a manifestação das suas criações, mas a sua verdadeira ênfase sempre esteve nos 99% da criação que ocorrem antes da manifestação. A excitação causada por uma manifestação, seja qual for a criação, é apenas uma breve excitação que rapidamente se torna a plataforma a partir da qual você lançará as suas próximas criações. Mas a sua vida é de fato os 99% da criação que ocorrem antes da manifestação.

• Hoje, não importa aonde eu esteja indo, não importa o que eu esteja fazendo, não importa com quem eu esteja fazendo... nada é mais importante do que me sentir bem.
• Hoje procurarei aquilo que estou querendo ver.
• Eu sou o criador da minha própria realidade.
• Neste exato momento, buscarei o pensamento que me traga o máximo de bem-estar que eu puder obter.
• Pensamento por pensamento e sentimento por sentimento, direcionarei as vibrações da minha mente para o alinhamento.
• Sentirei a verdadeira essência vibrátil do meu Ser e direcionarei todos os meus pensamentos para o alinhamento vibrátil, porque este é o verdadeiro significado do equilíbrio de energia.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Pa ti Luar

Selinhos para a minha Lua Feiticeira






e porque isto do selinhos vicia, dois selinhos pa ti, com muito amor

e não precisas seguir as regras, faz apenas nenhuma, o aquelas que quiseres!!

só te quer agradecer


bijus



Entrega de selos

Os selos lindos que a minha Amiga Luar me ofereceu 




entrego com todo o carinho a:


Depoimentosveridicos


Meu cantino Encantado

Espaço COISAS DA ALMA Fernanda Tomaz

Swiftee

O Cristal de uma Mulher

Viva mais 

Pensamentos

Quando os recebi deram-me estas regras para cumprir, mas se não as quiser seguir a escolha é sua!!  ou senão, invente as suas regras!!


Regras a cumprir :
1- Exibir a imagem do prémio.
2- Postar o link do blog que o premiou.
3- Publicar as regras.
4- Indicar 10 blogs para receberem.
5- Avisar os indicados.


quarta-feira, 22 de junho de 2011

Meus óscares

e com orgulho, dento da minha Alma, e dar aqui graças a Deus por ter encontrado neste mundo virtual uma pessoa fantástica e incrivelmente  "amiga" que me tem dado a mão e o ombro para chorar quando mais preciso ...
aqui deixo os selos que ganhei da minha Linda Luar, e que assim recebo: 




aqui estão eles: 




obrigada por tudo Luar
O Oceano de Sofrimento


O resultado de todas as ações que praticamos forma a trama da nossa vida, como a de um tapete: cada fio, cada detalhe. Cada um de nós continua a tecer diferentes realidades físicas e ambientais, amarrando-nos mais fundo aos ciclos de sofrimento. Nossa experiência depende do nosso karma, que produz graus variados de enganos e ilusões. Se os venenos da mente são agudos, experimentamos uma realidade muito dolorosa, infernal. Se os venenos se reduzem, nossa realidade se torna menos severa, mais agradável.

O Buddha falou sobre sofrimento do mesmo modo que falaríamos sobre doença a uma pessoa enferma, simplesmente para ajudá-la a compreender que não está bem, que há algo de errado. Se não houvesse cura para o sofrimento, não haveria porque discuti-lo. Mas o fato de que a cura existe faz com que seja de capital importância reconhecermos o sofrimento como fundamental; podemos, assim, começar a encontrar essa cura.

Há três tipos de sofrimento. O primeiro é o sofrimento que se sobrepõe ao sofrimento. Uma coisa ruim acontece em cima de outra, e parece não haver justiça alguma no processo. Quando você pensa que a situação em que está não pode ficar pior, ela fica. Você perde dinheiro, depois um parente, depois a juventude — há inúmeras maneiras pelas quais sofremos. O segundo tipo é o sofrimento da mudança. Nada é confiável ou consistente. Por maior que seja a nossa esperança de ter uma base sólida sobre a qual nos apoiarmos, tudo aquilo com o que contamos sempre se corrói, criando grande doŲ. O terceiro é o sofrimento que tudo permeia. Da mesma forma que, quando você espreme uma semente de gergelim, constata que ela está permeada de óleo, pode parecer que a nossa vida seja feliz, mas, quando somos espremidos, sofremos. Tão certo quanto o fato de que nascemos é o fato de que iremos ficar doentes, envelhecer e morrer.

Dentro do samsara, há incontáveis seres cujo sofrimento é, de longe, maior do que o nosso. Noventa e cinco por cento deles experimentam uma realidade brutal. A vida de apenas cinco por cento — humanos, semideuses e deuses mundanos — é relativamente bem afortunada. Entretanto, nós humanos freqüentemente nos lamentamos da nossa existência, queixando-nos amargamente dos nossos terríveis problemas. Nunca nos sentiríamos assim se tivéssemos uma apreciação do grau tremendo de sofrimento que existe em outros reinos. A pior de todas as experiências humanas é ainda mil vezes mais tolerável do que aquilo que os seres de menor sofrimento nos reinos inferiores têm que suportar. Seu sofrimento é tão lancinante que mal podemos concebê-lo; sua duração é insondável. Para alguns seres nem mesmo a morte serve de escape, até que se passem centenas de milhares de anos, às vezes eras inteiras.

A maioria dos seres nesses reinos não dispõem de tempo para ajudar a si próprios. Seu sofrimento permanece tão intenso que não têm um momento, uma oportunidade, para meditar ou para examinar a si mesmos ou sua vida de um ângulo diferente. Outros seres, em reinos superiores, vivem embriagados de prazer. Um falso contentamento permite-lhes se assentar em um estado de inatividade. Quando sua longa vida inevitavelmente chega ao fim, experimentam terrível sofrimento, pois não usaram suas amplas oportunidades para criar condições para sua felicidade futura.

A idéia de que podemos vivenciar reinos de sofrimento que chamamos de infernos deixa muitas pessoas céticas ou enraivecidas. Elas não acreditam em inferno; pensam que este conceito não passa de uma tática que algumas religiões empregam para assustar e controlar as pessoas. Em certo sentido, é verdade que o inferno não existe. Se fizermos uso de toda a tecnologia do mundo para tentar chegar ao centro da Terra, nunca acharíamos o inferno. No entanto, muitos seres estão sofrendo no reino dos infernos neste exato momento.

O inferno é o reflexo dos enganos e fantasias da mente, dos pensamentos e intenções raivosos, e das palavras e ações nocivas que eles produzem. Se não forem controlados, não há como deixarmos de vivenciar o inferno. Os praticantes precisam ser cuidadosos. Alguns podem pensar, "Minha meditação é tão profunda que eu não tenho que me preocupar com o karma." Mas as repercussões das visões enganosas são infalíveis, e para se renascer no inferno não é preciso de muito engano.

Algumas pessoas experimentam o inferno mesmo enquanto contam com um corpo humano. Muitas delas ocupam nossos hospitais. Há pessoas que são atormentadas pela idéia de que alguém está tentando assassiná-las ou arrancar sua carne. Há algumas que têm a experiência de estar sendo comidas vivas ou estar presas em um incêndio. Poderíamos estar sentados no mesmo quarto que elas, e não enxergar nada do que sofrem. Ao mesmo tempo, podemos estar bem ao lado de um grande meditador que vivencia o céu, a terra pura, sem que nós mesmos enxerguemos isso.

O inferno e o céu, na verdade, não estão tão longe um do outro. Entender isso é um pouco capcioso, já que a experiência do céu é muito diferente da do inferno. Mas isso ganha sentido se considerarmos o exemplo de uma substância simples como a água. Para os humanos, a água é crucial para a manutenção da vida; para os peixes, é o seu meio ambiente; para os deuses mundanos, uma substância semelhante à ambrósia; para os fantasmas famintos, sangue e pus; para os seres dos infernos, lava derretida. Não é que a substância em si varie de um caso para outro, mas, sim, que se modifica a percepção e a experiência que seres diferentes têm dela. Da mesma forma que nossa visão se altera quando pomos óculos com graus diferentes, nossa experiência da realidade é inteiramente condicionada por nossa percepção, a qual é determinada pela extensão dos nossos enganos e fantasias.

Em escala cósmica, as experiências das seis classes de seres nos três reinos da existência (os reinos do desejo, da forma e da não-forma) — a existência cíclica em seu todo — constituem dramas coletivos que se desenrolam como expressão do karma grupal desses seres. Quando vemos um filme projetado numa tela, conferimos a ele uma certa medida de realidade, e por essa razão somos afetados por ele. Ficamos contrariados, radiantes, aterrorizados ou enraivecidos por aquilo que vemos. Não importa que conheçamos a origem do cinema ou compreendamos como ele funciona. Quando assistimos a um filme, ele nos modifica ao evocar determinados estados emocionais. Podemos dar um passo atrás e dizer que, em termos últimos, não há nada ali, é apenas um filme. Mas na maior parte do tempo permanecemos totalmente absorvidos por aquilo a que estamos assistindo. Se um grupo de pessoas se sentar diante da mesma tela de cinema, serão afetadas mais ou menos da mesma maneira. Uma comédia vai deixá-las alegres; um filme de terror irá amedrontá-las. Como seres humanos que compartilham uma realidade coletiva denominada reino do desejo, verificamos que os impulsos mais fortes em nossa mente são o desejo e o apego, e enxergamos as coisas por modos muito semelhantes.

Embora grandes meditadores consigam vislumbrar outros reinos, nós não temos prova absoluta sequer de que o nosso mundo fenomênico humano exista além das nossas mentes individuais e coletivas. Ainda assim, da mesma forma que tomamos nossos sonhos como reais enquanto estamos dormindo, consideramos real o nosso reino humano. E os cinco outros reinos são tão reais para os seres que neles existem quanto a nossa experiência é para nós. O inferno parece tão real para um ser do inferno, o reino dos fantasmas famintos tão real para um fantasma faminto, quanto o reino humano parece para nós. Em última análise, o sofrimento provém não dos fenômenos desses reinos, mas do fato dos seres conferirem realidade a eles.

Assim, não é contraditório dizer que nossa experiência é real ou verdadeira, e ao mesmo tempo falsa. Nem é contraditório dizer o mesmo de qualquer outro reino. Se insistimos que o reino humano é real, então todos os demais reinos são reais, porque os seres que neles existem os experimentam como reais.

O sofrimento mais agudo de todos os reinos é aquele dos dezoito infernos, o reflexo e as conseqüências kármicas da raiva e do ódio, e de sua expressão em pensamentos, palavras e ações. Os seres aí padecem de calor e frio extremos. Nos infernos quentes, chamas do comprimento de um antebraço cobrem toda a superfície. Com cada passo, o pé se queima. Quando é levantado, se cicatriza; então, com o próximo passo, se queima novamente. O fogo arde com uma intensidade inconcebível. Diz-se que as chamas produzidas pela madeira pura de sândalo são sete vezes mais quentes do que o fogo comum, e sete vezes mais quente ainda será o fogo que consumirá o universo no final desta era; mas o fogo dos infernos quentes é sete vezes ainda mais quente do que este último.

O corpo dos seres dos infernos não é igual ao nosso. Nosso corpo de carne e osso possui um certo nível de tolerância; consegue suportar ou sentir dor somente até um determinado ponto. Mas os seres dos infernos, cujo corpo é tão sensível quanto um globo ocular, não desmaiam, perdem consciência nem morrem até que seu karma termine.

Em um dos infernos, imagens de todos aqueles seres que matamos — quer seja um veado, um inseto ou uma pessoa — surgem tão grandes quanto montanhas e nos esmagam entre elas. À medida que se separam, nosso corpo se recompõe uma vez mais, apenas para ser novamente esmagado, e assim indefinidamente. Em um outro inferno, os seres nascem com uma risca que atravessa o comprimento de seu corpo, ao longo da qual são cortados ao meio por uma serra. As duas metades se restabelecem e se unem, apenas para ser cortadas de novo, e assim sucessivamente.

Nos infernos frios, o meio ambiente gelado, inóspito, brutal, não oferece nem roupa nem abrigo. Se os seres humanos adormecem e morrem quando ficam congelados, os seres neste reino de enregelar os ossos não morrem até que seu karma se exaura, por mais congelados que fiquem. Seus corpos racham como carne deixada por muito tempo num congelador.

Centenas de vezes mais horripilante do que qualquer outro reino, o inferno é simplesmente o pior lugar para se estar.

Os fantasmas famintos padecem de imensa fome, sede e exposição ao tempo. Novamente, este reino não é simplesmente uma metáfora, mas muito real para os seres aprisionados nele, pois vivem constantemente esfomeados e ardendo de sede. Os seus próprios corpos são construídos de modo a criar dor. Têm uma cabeça enorme, imensa como uma montanha, e barriga do tamanho de um vale. Seu pescoço é tão diminuto quanto um pequeno fio do rabo de um cavalo, de modo que nada pode passar pela garganta. Seus membros são tão descarnados que não conseguem sustentar o corpo, e é extremamente difícil para eles se movimentar e procurar comida. A maior parte do tempo, os fantasmas famintos podem só ficar deitados de bruços e passar fome. Se chegam a encontrar alguma comida, geralmente é imunda ou apodrecida, e, se conseguem engoli-la, vira fogo em seu estômago.

Ganância e apego extremos são as causas kármicas do nascimento no reino dos fantasmas famintos. Enquanto o karma que sustenta sua existência não se exaure, os fantasmas famintos são incapazes de morrer, apesar de sua agonia, que pode durar milhares de anos.

No reino animal, o sofrimento resulta principalmente do ataque de uma espécie pela outra. Dado que os animais constantemente buscam matar e comer-se uns aos outros, vivem sob perpétuo medo. Os animais selvagens não comem um único bocado de capim sem olhar de um lado para outro, para se certificar de que estão seguros. O tratamento rude dos animais domesticados pelos humanos também causa grande dor e sofrimento. Os animais possuem liberdade muito limitada; por maior e mais potente que seja o elefante, por mais belo que seja o pavão, não possuem a capacidade de refletir sobre alguma coisa e então agir. Este karma provém de ações não-virtuosas motivadas por ignorância e estupidez.

Ações virtuosas manchadas por todos os venenos da mente, sem predominância de qualquer um deles, produzem renascimento como ser humano. Embora, como vimos, as condições deste reino sejam relativamente bem afortunadas, não obstante conhecemos o sofrimento ligado ao nascimento, velhice, doença e morte, ligado à guerra, violência, fome e, mais sutilmente, ao desejo não-preenchido.

Os semideuses têm um meio ambiente agradável, mas são atormentados por inveja e espírito de competição e, assim, estão sempre envolvidos com brigas, derramamento de sangue e guerras. Renascimento como semideus é produzido por ações virtuosas manchadas por inveja e competição, ações que trazem ajuda mas que são praticadas apenas para demonstrar que alguém está fazendo mais do que o outro, ou que é superior ao outro.

No reino dos deuses mundanos, o karma da virtude manchado pelo orgulho produz condições maravilhosas. Os deuses mundanos nunca se sujam, nunca cheiram mal, nunca têm que lavar sua roupa. As flores que ornamentam seus corpos conservam-se frescas para sempre — até sete dias antes de sua morte. Então suas flores se deterioram, seus corpos ficam sujos e começam a exalar odor, e eles sabem que logo morrerão. Por sete dias — o equivalente a trezentos e cinqüenta anos humanos — passam pela angústia de saber em que reino inferior vão cair. Por fim, quando o karma que sustenta sua existência se exaure, os seres do reino dos deuses morrem.

Os deuses do reino da forma e da não-forma vivem em um tipo rudimentar de samadhi ou absorção meditativa. Renascimento no reino da não-forma é produzido por apego à estabilidade, renascimento no reino da forma por apego à clareza, e renascimento como deus no reino do desejo por apego ao prazer de certos estados sublimes de felicidade. Embora esses renascimentos não sejam terríveis, ainda são samsáricos. Mais cedo ou mais tarde, uma vez exaurido o karma positivo que mantém aquela existência, a embriaguez desses seres terminará e eles renascerão em algum reino inferior, mais doloroso.

Quando tomamos consciência do sofrimento e das limitações da existência cíclica, passamos a ter motivação para encontrar uma saída, da mesma forma que, quando nos damos conta de que estamos doentes, buscamos remédio. Ao compreender que a virtude e a não-virtude determinam se a nossa experiência será de felicidade ou de tristeza, prazer ou dor, cabe-nos uma escolha: podemos mudar as nossas ações e cultivar qualidades virtuosas, buscando liberação para nós mesmos e para todos os seres, ou podemos continuar a criar não-virtude, perpetuando sofrimento sem fim.

Quando realmente começamos a compreender o sofrimento, começamos a ver o samsara como um pântano pútrido dentro do qual caímos. Nosso único desejo passa a ser o de libertarmos a nós mesmos e aos outros. Essa atitude de buscar liberação para nós e os para outros é uma qualidade que denominamos renúncia, um elemento crucial para nosso ingresso no caminho espiritual.
Através da contemplação contínua da nossa existência humana preciosa, da morte e impermanência, do karma e sofrimento, a mente se volta para o dharma. Se sua visão consegue atravessar os três venenos, o combustível do samsara, de modo que eles deixam de dominar sua mente, então essas quatro contemplações fizeram seu trabalho. Se não, prossiga refletindo sobre os quatro pensamentos até que se tornem parte de sua pessoa, até que eles tenham fundamentalmente transformado sua visão do mundo.




(Chagdud Tulku Rinpoche. Portões da Prática Budista.
Traduzido por Manoel Vidal, revisado por Cinthia Sabbado, Marta Rocha e Maurício Sabaddo.
Três Coroas: Rigdzin, 2000. Pág. 93-101. )

A Impermanência

Um dos melhores métodos para desenvolver prática espiritual pura é meditar continuamente sobre a impermanência. Começamos olhando para o universo inanimado. Em um certo tempo, eras atrás, não havia nada de concreto aqui. Segundo a cosmologia buddhista, primeiro apareceu o elemento ar, que deu origem aos elementos fogo, água e terra, à medida que o universo físico passou a existir, com o Monte Meru no centro, cercado pelos quatro continentes. Então, formas dotadas de vida começaram a surgir, primeiramente a partir de divisão celular, depois a partir de vários tipos de reprodução assexuada, e então reprodução sexuada, inclusive nascimento vindo de um ovo e do ventre de uma mãe.

Esse vasto período de criação culminou na atual "era de duração", durante a qual haverá dezoito ciclos ascendentes e descendentes de bem estar e felicidade. À medida que o universo se aproximar de seu fim e o meio ambiente físico deixar de ser propício à vida, seres em número crescente renascerão em outros universos. Por fim, a matéria física irá se desintegrar até que, novamente, nada sobrará.

Ao pensarmos sobre essas coisas, nossa percepção do universo começa a mudar; damo-nos conta de que, por mais verdadeiro e sólido que ele pareça ser, não é eterno. Em escala menor, vemos que cadeias de montanhas vieram e se foram, e, onde oceanos enormes surgiram, agora encontramos terra seca. Onde cidades outrora floresceram, hoje existem regiões estéreis e vazias, e, no lugar de terras inóspitas, cidades enormes cresceram. Ganhamos consciência das constantes mudanças em nosso meio ambiente, desde os tempos pré-históricos até o período que a história registra.

As mudanças são contínuas. Dia a dia, uma estação corre para a próxima. O dia vira noite, a noite, dia. Prédios não ficam velhos de repente; na realidade, a cada segundo, desde o momento em que foram construídos, começam a deteriorar.

Nosso meio ambiente, corpo físico, fala e pensamentos modificam-se tão velozmente quanto uma agulha espeta uma pétala de rosa. Se você espetar uma pilha de pétalas de rosa com uma agulha, isso pode lhe parecer um único movimento; na realidade, porém, ele se compõe de muitas etapas distintas. Você penetra cada pétala separadamente, atravessando sua superfície externa, a parte do meio, saindo pelo outro lado; atravessa o espaço entre uma pétala e a próxima, o lado de cima desta, e assim por diante. O espaço de tempo que leva para a agulha atravessar cada uma dessas etapas sucessivas pode ser usado como uma unidade de medida para descrever a velocidade a que mudam todos os fenômenos do nosso mundo.

Pense nos seres que habitam este universo. Quantas pessoas nascidas cem anos atrás continuam vivas? Quantos de nós que estamos agora sobre esta Terra estaremos aqui daqui a cem anos? As personagens da história — por mais ricas que foram, por mais famosas ou bem sucedidas, por mais vastos os territórios sob seu domínio — agora são apenas lendas. Nos ensinamentos buddhistas, conta-se muito a história de um rei tão poderoso que controlava não só o mundo conhecido como também o reino de Indra, rei dos deuses. No entanto, somente sua lenda permanece.

Os mestres extraordinários do passado — os oito grandes reis do dharma, os vinte cinco discípulos principais do grande mestre Padmasambhava, mesmo o Buddha Shakyamuni, uma manifestação de compaixão suprema em forma humana que nasceu em um bosque em Lumbini (hoje Nepal) e ao longo de sua vida realizou doze grandes feitos — não estão mais aqui. Isso não significa que suas bênçãos morreram com seus corpos físicos, pois as qualidades positivas da mente iluminada permeiam os três tempos do passado, presente e futuro. Porém, de nossa perspectiva pessoal, eles desapareceram, da mesma forma que, quando o mundo gira, parece-nos que o Sol se põe.

Vemos também a ação da impermanência em nossos relacionamentos. Quantos de nossos familiares, amigos, pessoas de nossa cidade natal morreram? Quantos se mudaram para outros lugares, desaparecendo de nossa vida para sempre?

Quando éramos crianças pequenas, não suportávamos ficar longe de nossos pais. Às vezes, se nossa mãe saía do quarto por dois ou três minutos, ficávamos em pânico. Agora, escrevemos para nossos pais, quem sabe, uma vez por ano. Pode ser que morem do outro lado do mundo. Talvez nem saibamos se eles estão vivos. Como as coisas mudaram!

A um tempo, sentíamo-nos felizes apenas ao estar junto de uma pessoa amada. Só segurar a mão daquela pessoa nos provocava sentimentos maravilhosos. Agora, talvez não possamos aturá-la, não queiramos saber coisa alguma sobre ela. Tudo o que se forma tem que se desfazer, tudo o que se junta tem que se separar, tudo o que nasce tem que morrer. Mudanças contínuas, mudanças implacáveis, são constantes em nosso mundo.



"Então", você poderia pensar, "o universo muda continuamente, e da mesma forma os relacionamentos; no entanto, 'eu' sou sempre o mesmo." Mas quem sou "eu"? Sou o corpo? No momento da concepção, o corpo humano começa como uma única célula, então se multiplica em uma massa de células que se diferenciam para formar vários sistemas orgânicos. Depois de virmos ao mundo como um bebê plenamente formado, começamos a crescer a cada momento, para nos tornamos adultos.

Esse processo físico ocorre semana a semana, mês a mês, até que chega um tempo em que percebemos que as coisas estão ficando um pouco piores, e não um pouco melhores. Não estamos mais crescendo; estamos envelhecendo. Inexoravelmente, perdemos certas capacidades: nossa vista se enfraquece, nossa audição falha, nosso raciocínio se embaralha. É a impermanência cobrando seu preço.

Se vivermos a duração normal de uma vida e tivermos uma morte natural, ficaremos mais e mais enfraquecidos, até que, um dia, não conseguiremos mais sair da cama. Talvez não seremos capazes de nos alimentar, de evacuar ou de reconhecer as pessoas à nossa volta. Em um dado momento, morreremos, nosso corpo uma casca vazia, nossa mente vagando pela experiência do pós-morte. Este corpo, que foi tão importante por tanto tempo, será queimado ou enterrado. Pode mesmo vir a ser devorado por animais selvagens ou pássaros. Em um dado momento, nada restará para fazer lembrar aos outros que um dia estivemos aqui. Nós nos tornaremos nada mais do que uma lembrança.

"Bem", você poderia pensar, "o corpo é impermanente, mas o 'meu eu real', a minha mente, não é." No entanto, se você olhar para sua mente, verá que não é a mesma de quando você era um bebê. Naquele tempo, tudo o que você queria era o leite da sua mãe e um lugar aquecido para dormir. Um pouco mais tarde, alguns brinquedos deixavam você contente. Mais tarde, foi um namorado ou uma namorada, e depois um certo emprego ou casamento ou casa. Suas necessidades, desejos e valores mudaram; não todos de uma só vez, mas segundo a segundo. Mesmo ao longo de um único dia a mente experimenta felicidade e tristeza, pensamentos virtuosos e não-virtuosos, repetidas vezes. Se tentamos segurar um determinado momento, mesmo enquanto pensamos em fazê-lo ele já desapareceu.

Como o corpo e a mente, nossa fala está constantemente mudando: cada palavra que enunciamos se perde; uma outra se apressa para substituí-la. Não há nada que possamos apontar que seja imutável, estável, permanente.

Precisamos incutir em nós mesmos uma consciência contínua da impermanência, que esteja viva momento a momento. Isso porque a vida é uma corrida contra a morte, e a hora da morte é desconhecida. Contemplar a aproximação da morte muda as nossas prioridades e nos ajuda a abrir mão do nosso envolvimento obsessivo com coisas ordinárias. Se permanecermos sempre conscientes de que cada momento pode ser o nosso último, iremos intensificar a nossa prática para não desperdiçarmos nem fazermos mal uso da nossa preciosa oportunidade humana. À medida que amadurece a contemplação dessa verdade, será fácil apreendermos os mais elevados, os mais profundos ensinamentos buddhistas. Vamos ter alguma compreensão de como funciona o mundo, como as aparências surgem e se transformam. Vamos passar de um mero entendimento intelectual da impermanência para a compreensão de que todas as coisas sobre as quais baseávamos nossa crença na realidade são apenas um cintilar de mudança.

Começaremos a ver que tudo é ilusório, como um sonho ou uma miragem. Embora os fenômenos apareçam, na verdade nada estável está de fato presente.

Então, poderíamos perguntar, o quê terá utilidade para nós quando morrermos? Não importa quão agradáveis ou simpáticos as pessoas pensem que somos; depois que estivermos mortos, elas não vão querer o nosso corpo por perto. Nem serão capazes de ir conosco, não importa quem sejam ou quão felizes nos fizeram. Temos que morrer sós. Isso é verdade mesmo se formos famosos, mesmo se formos tão ricos quanto o próprio deus da prosperidade. Na hora da morte, toda a riqueza que acumulamos, todo o poder, status e fama que conseguimos, todos os amigos que reunimos — nenhuma dessas coisas nos será de valia. Nossa consciência será extraída do ambiente em que estivermos de forma tão cirúrgica quanto um fio de cabelo de um bloco de manteiga. A única coisa que irá nos beneficiar será nossa prática do dharma; a única coisa que nos seguirá na morte será nosso karma positivo e negativo. Nada mais.

Pergunta: Se contemplarmos a impermanência dessa forma, não ficaremos apáticos às necessidades dos outros?

Resposta: Nossa intenção no caminho do dharma é aliviar o sofrimento dos outros tanto quanto pudermos, por todas as formas que pudermos, até que, por fim, sejamos capazes de aliviar todo o sofrimento de todos os seres. Ao mesmo tempo, mantemos a consciência da impermanência em todas as coisas que fazemos, lembrando-nos de que, como um sonho, a vida cotidiana acontece, mas não é intrinsecamente real. Fazemos tudo o que está ao nosso alcance, no contexto dessa experiência de sonho, para trazermos benefícios aos outros e para reduzirmos os venenos da mente, de modo a não causarmos mal a nós mesmos nem aos outros. Se praticarmos virtude e reduzirmos a não-virtude, este sonho que chamamos vida irá melhorar. Recordando-nos da natureza da nossa experiência, que é impermanente, como um sonho, iremos por fim despertar, e ajudar os outros a também fazer o mesmo.

À medida que a nossa compreensão da impermanência e da natureza ilusória da realidade aumenta, também aumenta nossa compaixão. Vemos que, aprisionados em sua crença no sonho, sem nenhuma compreensão da impermanência, os seres vivem angústia e sofrimento tremendos. Pelo fato de acreditarem na solidez da sua experiência, reagem com apego e aversão quando seu karma surge, criando mais karma negativo e perpetuando os ciclos de sofrimento.

Pergunta: Qual a diferença que existe entre alguém contemplar a impermanência e ficar olhando no relógio, querendo saber quando irá terminar aquilo que está fazendo?

Resposta: Tudo se resume a motivação. Se a sua motivação não for auto-centrada, você não notará o relógio tanto assim. Se for, então as coisas parecerão tomar mais tempo do que você esperaria. Eu não o desaconselho a observar o relógio, mas observe o relógio do samsara: pergunte-se dentro de quanto tempo o samsara vai acabar. Então, a questão passa a ser, "Como eu posso cortar o apego? Como eu posso cortar a aversão? Como eu posso cortar a confusão?" Ao eliminarmos os obscurecimentos da mente, conseguiremos, com o tempo, por fim ao samsara.

Pergunta: Acho que o que o Sr. está dizendo é verdade, mas ainda vejo que o peso dos muitos anos em que não pensei assim é mais forte do que minha crença no ensinamento sobre impermanência. Como posso mudar esse hábito?

Resposta: Suponha que comecemos com um exercício muito simples. Examine a importância que você atribui à comida que come, suas roupas, sua casa, seus amigos, suas conversas, os livros que lê. Você provavelmente verificará que os considera tão cruciais que trabalha dia e noite para mantê-los.

Agora, examine essas coisas por um ângulo diferente. Olhe para cada uma delas e pergunte-se se são permanentes. Pergunte se, em última análise, são algo em que você possa se fiar. Na hora da sua morte e para além dela, essas coisas serão confiáveis? E será que valem todo o esforço e preocupação que você dedica a elas agora? Pensar sobre a impermanência e a morte nos ajuda a nos desvencilhar de valores mundanos e a mudar nossas prioridades.

Através da contemplação e aplicação dos ensinamentos em cada momento da sua vida, você verá seus hábitos se transformarem. Você não conseguirá mudar apenas lendo livros. Você precisa procurar, investigar, questionar e examinar. Pode ser que você já tenha sido exposto a todos os tipos de idéias e entendido muitas coisas intelectualmente, mas sem uma contemplação que o leve mais fundo em sua prática e lhe permita chegar a algumas conclusões muito fundamentais, você não será capaz de dar o próximo passo.

Para descobrir o que é realmente importante para você, tire alguns minutos agora para refletir sobre o que foi dito aqui, e veja como isso se relaciona com sua própria experiência. Apenas por meio da contemplação você poderá descobrir se a prática espiritual faz sentido para você e toca seu coração.

 
(Chagdud Tulku Rinpoche. Portões da Prática Budista.
Traduzido por Manoel Vidal, revisado por Cinthia Sabbado, Marta Rocha e Maurício Sabaddo.
Três Coroas: Rigdzin, 2000. Pág. 68-75. )

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A física quântica praticada pelo observador



 
ESCOLHENDO A CRIAÇÃO DE SUA REALIDADE DE MODO LÚCIDO

O modo como observamos o mundo que nos cerca é a escolha da realidade na qual desejamos estar inseridos, mesmo que isso por vezes seja de difícil compreensão.
De acordo com a física quântica, todas as nossas possibilidades estão acontecendo simultaneamente, porém quando focamos a nossa atenção para a realidade, apenas uma possibilidade é concebida como real para que possamos experimentá-la como experiência de vida.

O problema é que, devido às nossas dependências emocionais, acabamos repetindo padrões indesejados, achando que, apesar das infinitas possibilidades de escolhas que temos, não possuímos a capacidade de rumar para o diferente. E - como conseqüência - passamos a nos repetir indefinidamente.
A questão é que as nossas identidades estão insistentemente engajadas neste circuito. As respostas bioquímicas em nosso corpo que têm a ver com a alegria, o prazer ou a dor, seguem sempre o mesmo caminho emocional e acabamos por não conceber, por mais que possamos desejar, a idéia de que podemos ter outros coloridos com relação à alegria ou a situações totalmente novas. Na grande maioria das vezes sequer concebemos a hipótese de que atuamos em meio aos nossos vícios e padrões emocionais repetitivos. E mesmo se já estivermos aceitando estas percepções, talvez devido às nossas crenças (e dependências emocionais?), ainda custamos a conceber que temos o poder para criar algo de efetivamente novo em nossas vidas.

Se desejarmos algo intensamente, a ponto de perdermos a referência de quem somos - da nossa identidade conhecida - e nos tornarmos o desejo em si, o novo pode emergir em situações totalmente inusitadas. A fixidez da vida repetitiva poderá se transformar naquilo que a consciência é em essência: Mutante.
Mutante porque cria constantemente. (Atente que você pode criar permanentemente a mesma coisa, mudando apenas o cenário de vida e pior, às vezes nem isso).
A consciência de si mesmo se fortalece com a assimilação e com a elaboração das experiências vividas, podendo deste modo partir sempre para o novo.
No caso de sua incessante e prejudicial repetição, a consciência, ou seja, o observador, tenderá a entrar em tédio profundo, aos poucos retirando a sua atenção do foco da realidade que criou. Gera então o desespero e a desolação... que por sua vez podem criar uma outra tipologia de deformação emocional. E por aí vai...

Encontre um espaço dentro de si mesmo e questione sobre a sua vida. Observe atentamente o que deseja mudar e faça um movimento.
Abra espaço dentro de si e visualize a situação ideal para você. Conceba que essa criação de realidade é totalmente passível de ocorrer. Pesquise seus ambientes emocionais e deflagre os impedidores para você ser feliz. Pesquise as suas crenças e veja - de mente aberta - tudo o que é infundado e limitante.

Movimente a sua vida, valide a sua existência!

METODOLOGIA PARA CRIAR O DIA:
(Tradução do texto de Joseph Dispenza)

Ao acordar, conscientemente crio o meu dia, do jeito que desejo que seja. Dou-me um espaço e a minha mente examina as coisas que eu posso fazer até que eu chegue num ponto que me interessa, que é a intenção da criação do meu dia. Após criar o meu dia, pequenas situações inexplicáveis acontecem. Sei que são o processo e o resultado da minha criação.
E, quanto mais faço isso, mais uma rede neural vai se construindo, fazendo-me aceitar que é possível. Dando-me o poder e o suporte que me incentiva a repetir tudo no dia seguinte.
(Torna-se então um padrão. Deste modo nos abrimos à possibilidade suprema de decifrarmos as diferenças criadas nos nossos dias).
Estou consciente de que a todo instante eu estou desenhando o meu destino.
Do ponto de vista espiritual, estou conscientemente aceitando as idéias de que os nossos pensamentos afetam a nossa realidade e assim a nossa vida. Porque a realidade é igual à vida. A vida que criamos.
Estou tirando esse tempo para criar o meu dia, portanto afeto o campo quântico das múltiplas possibilidades de modo consciente.
Então faço um pacto quando crio o meu dia:
Se existem de fato observadores, como eu mesmo o sou, e se estão me acompanhando todo o tempo da minha criação; se existe um aspecto espiritual em mim, então me mostrem um sinal de que eu criei e façam com que aconteçam situações do jeito que espero, e que eu possa me surpreender com a minha habilidade de sentir essas coisas e que eu não tenha dúvidas que isso vem de vocês.


Temos que mudar o que desejamos e nos concentrarmos totalmente nesse intento a ponto de perdermos a consciência de quem somos. A ponto de perdermos a noção do tempo. A ponto de perdermos a noção de identidade.
No momento em que estamos totalmente envolvidos nessa experiência, perdemos a noção de quem somos e aquilo que estamos sendo é a única coisa real. (Todos já passaram por essa experiência quando puseram algo em suas cabeças, quando quiseram algo intensamente).
- Este é o observador em pleno efeito. Esta é a Física Quântica atual, na prática.
- Você é o co-criador de seu futuro.

COMPLEMENTO DA CRIAÇÃO PESSOAL - SOMENTE PARA HOJE:
- Vou conhecer pessoas extraordinárias.
- Terei um encontro com o incomum.
- Estarei ciente de novas possibilidades as quais nunca imaginei.
- Rompo com todos as minhas dependências emocionais e me abro para o novo.
- E por tudo isso eu estou em êxtase por esse dia.




:: Silvia Malamud ::

sábado, 18 de junho de 2011

Angústia



a angústia é o extremo da  dor na solidão, quando nos apercebemos que a nossa dor, seja ela qual fôr, não é  compartilhada, mesmo que a compartilhemos ...

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Believe

Saudade




saudade

saudade da minha casa
do aconchego
do calor
da Luz,
que aquecia
que me acalentava

me protegia
me fazia sentir segura
me fazia sentir na Paz

na alegria constante de Ser
de existir

de ser amada
sempre

de me sentir, como nunca aqui senti
nem sequer uma única vez

de sentir que faço parte de algo grandioso que só se entende
quando se está, aí, em casa, e junto a Ti

dos jardins encantados
das flores inebriantes

das multicores que só aí se sentem

olhando o céu,sentindo o vento bater no meu rosto, cabelos

vendo as árvores esvoaçar
os pássaros livres
 a pureza da chuva caindo no meu rosto

e que me trazem a saudade que sinto de Ti
sempre senti

desde que estou aqui ....

sózinha

aguardando que chegue a derradeira hora
a saborosa
a anestesiante
a desejada hora 
de me reunir a Ti

DEUS



Analuz







Uma música com significado

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Porque fomos crianças, quando tudo começou ...


porque quando aqui chegamos, puros, na ilusão de que o nosso caminho seria a continuidade da pureza, da ingenuidade, e da simples e singela alegria interior, e porque todos nós nos enganámos... aqui deixo imagens dessa idade que, penso eu, a única onde viviamos realmente alegres e puros ....

Tarot de OSHO clik

Se gosta de ERVAS e ESPECIARIAS CLIK

Se lhe interessa a NOVA ERA Clik

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Minha prisão é aqui




livre

quero ser, livre...

sentir-me livre, liberar

esta prisão que sinto dentro, que não consigo ultrapassar...

sentir a liberdade, dentro mim, na alma, no meu ser, que sou EU

livre, quero ser livre, e encontrar o rumo, a estrada que perdi 

que tinha em mente, quando nasci, aqui vim, aqui entrei, neste mundo !!

livre, para poder, escolher, voar, atravessar, o caminho por mim escolhido

que não os rumos nesta vida que me foi imposta!!

e sinto-me acorrentada, dia a dia,

por tudo, por todos ...

por ver limitadas as minhas escolhas

por não ter a liberdade de escolher o caminho que minha alma se propos

quando aqui nasci ...

e presa, amarrada, limitada,

numa prisão irreal/real, de mim mesma

numa prisão apartada, do mundo, e com o mundo

e que sinto dentro, segundo a segundo, respiração adentro

no pulsar, e em cada batida do coração meu

busco, e contínuo a busca, exasperadamente. a saída, a porta, o portão

que não encontro, até ora não encontrei, aqui,

para me encontrar a mim mesma

para sentir quem realmente sou, o que sou, sempre ... e sempre fui

e poder voar

neste mundo

e conseguir voltar àquele que sempre pertenci ....






Analuz

quarta-feira, 29 de junho de 2011

ADEUS MIÚDO




e a vida aqui se foi...

para ele, que despelotava juventude, força, beleza, carisma, talento ...




e aqui a vida se foi

num momento, segundos, fugaz

sem sequer dar tempo a pensar!!

sem sequer dar tempo a saber, porquê

porque acabou assim!!

porque tudo acabou, aqui!!





e num segundo a vida se foi

mas, acredito,

já lá estás, vendo-nos, vendo

tudo que por ti fizeram, por ti clamaram, rogaram,

nestes últimos momentos que estivestes preso à vida, por um fio invisível,




e sei, agradeçes, eu sei,

e que queres gritar, heiii, eu estou bem eu estou aqui, agora,

e dizes, adeus, e choras, na tua Alma, despedindo-te daqueles que mais amas

daqueles que amastes!!

e de alegria, também choras, eu sei

por saber, aquilo que não sabemos ainda, mas tu já sabes





que todos nos vamos reencontrar, um dia ...


Adeus ANGÉLICO














Mais um selinho

recebi do meu blog amigo Valter Montani este selo.
agradeço aqui ter-me entregue, o que me fez sentir orgulhosa!!

abraço Valter Montani!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Como um Lobo




a noite é meu refúgio


é nela que me sinto viva, bem,


é nela que consigo viver algo, da vida


por ser negra, escura,

por saber que nesta hora muitos dormem, estão apagados, e não sorriem


não saboreiam a vida, num dormir, que os apaga...


e com eles, nestes momentos, me assemelho, 


num dúo contraditório, num não viver, deles,


num viver meu...

e na noite, sinto a vida pulsar, as forças voltar, como um lobo que sai à noite e uiva ...


uiva para se fazer ouvir, para se fazer valer, neste mundo

para mostrar que está vivo e que ele reina, nesses momentos de escuridão

e a noite se me mostra

amiga, conselheira, 


libertadora, de meus medos, de minhas limitações


quem me dera que o dia se tornasse noite, noite que me abarca


me trasmporta


chega ao ponto de me fazer sonhar


com tudo aquilo que não vivi, não senti, não alcançei ...


e pergunto-me, o que ela me traz para eu ser tão devota dela?!!


a paz, a candura, a sensualidade que sinto na pele, a solidão, acompanhada por mim


só por mim, e pelos meus sonhos


que me fazem viver, por momentos que passo nela


e forças me dá, para prosseguir, mesmo sem forças...


em mais um dia, de Luz, de sol, que me encandeia e me faz exasperademente


suplicar, rogar, que chegue mais uma noite ...


para sentir, em poucos momentos, breves, com ela, como ela é,  junto a ela,


que ainda estou viva !!!






http://analuz-oquecalonaalma.blogspot.com/

domingo, 26 de junho de 2011

Anjos




sinto a dor, de cada um, no seu olhar ...


e custa, como custa!!


quando me cruzo com eles, a vida me faz cruzar,


sinto a sua entrega, total, o seu coração pulsar de alegria, de esperança, de agradecimento


e de súplica...


quando e apenas, lhes afago o pêlo, 


e são tantos, sós, abandonados, a si próprios, à sua vida limitante .... pelo homem


olho no olho, vejo a pureza que nunca encontrei, nunca, num ser da minha raça... nunca ...


e sonho, sempre sonho, e grito de dor por dentro nar impossibilidade, de abarcá-los todos no meu ser, num lar feito só para eles, para poderem viver a vida, como Deus sempre quiz que eles vivessem, 

entendessemos, aprendessemos, com eles ...


e, assim demonstrar ao mundo, mundo inteiro, que eles são, sempre foram, seres de Luz e de pureza que vieram demonstrar ao mundo que nada mais vale a pena que a entrega absoluta sem compensações,  sem retornos, apenas e simplesmente,  amar .. como eles amam ... a quem, lhes entrega a Alma... e a quem os mal trata .....






Analuz

sexta-feira, 24 de junho de 2011

LEIS CÓSMICAS BÁSICAS




     Desde os mais remotos tempos, o Ser Humano vem tentando desvendar o mistério de como se originou o Homem e o Universo.
     Muitas foram às teorias levantadas, que vão desde o materialismo até o espiritualismo, do espiritualismo ao materialismo, sem que os mestres dessas “Doutrinas” percebam a necessidade de se buscar a harmonia e o equilíbrio numa visão mais racional e científica da realidade.
     Hoje, as ciências mais avançadas no estudo do Micro e Macrocosmo, das partículas subatômicas às galáxias e à expansão do Universo, apresentam-nos um novo conceito de Cosmo.
     A descoberta das partículas subatômicas conduz o pensamento humano à compreensão, à descoberta de que tudo é energia – a matéria não existe.
     O Universo é a expressão de um pensamento.
     A matéria, sendo energia que assume as formas criadas por um pensamento, é elemento sujeito às do pensamento ou da mente.
     Portanto, as leis que comandam o Universo ou LEIS CÓSMICAS confundem-se(são as mesmas)  com as LEIS MENTAIS.
     A divisão ou a união entre matéria e espírito que tanto preocupou pensadores, cientistas e sábios do passado parece desvendar-se agora.
     Não há uma real distinção entre matéria e espírito.
     A matéria não existe, o que existe é energia, assumindo a forma do pensamento.
     Essa verdade se explica a lei mental maior – a Lei da Criação: Só se expressa no exterior o que já é no interior.
          A maior lei mental é a Lei da Criação. Esta é a lei que fundamenta o poder criador do Subconsciente.
     “Só se expressa no exterior o que já é no interior”.
     Tudo o que existe, existe na realidade exterior, física, objetiva, visível, porque já existiu antes no pensamento, na mente de alguém. Assim como a casa ou o edifício existe e foi construído porque, um dia, existiu na mente de um engenheiro ou arquiteto. Primeiro existiu sua imagem mental, depois existiu a Imagem física – “o pensamento assumiu forma”.
     O Ser Humano, por seu Pensamento, sua Mente, está integrado, unido ao Pensamento Cósmico que gerou o universo.
     Você cria o mundo, saiba ou não saiba, queira ou não queira, perceba ou não, você está acionando a Lei da Criação para destruir ou construir, para gerar um mundo perturbador ou um mundo benéfico e de felicidade.
     Você pode fazer seu mundo ser melhor.
     Participando construtivamente da criação em sentido positivo, em seu benefício e dos outros seres.
     Como acabamos de ver, a Lei Mental Maior é a que dá origem ao Universo, ao Cosmo. É a Lei da Criação.
     O Ser Humano é chamado a participar como Co-Criador do Universo. Universo inacabado em seus detalhes, e do qual o Ser Humano pode e precisa participar como co-criador, para ser feliz.
     A Lei da Criação é a Lei Mental Maior – comanda a criação de nossa realidade existencial, os fatos de nossa vida, os fenômenos paranormais e normais, manifestações que conduzem ao “vir-a-ser” do Ser Humano.
     Por isso, a Lei da Criação pode impor-se a qualquer outra Lei Cósmica, mesmo as básicas.

Raquel Mazera Poffo

Breve texto do Livro: O extraordinário poder da intenção




Noventa e nove por cento de qualquer criação são concluídos antes que você observe qualquer evidência dela


Você agora está consciente de que é somente você quem atrai ou cria a sua própria experiência. Acreditamos que já compreende, com mais clareza do que antes, como é que cria, porque passou a perceber que está continuamente transmitindo um sinal vibrátil, que é o seu ponto de atração.
Esperamos que você também esteja consciente da existência do Sistema de Orientação Emocional que indica o relacionamento vibrátil entre o seu pensamento direcionado em determinado momento e a vibração do seu desejo. Você pode literalmente sentir quando está se aproximando ou se afastando de alguma coisa indesejada.
Ficamos contentes por você agora compreender, ou pelo menos estar começando a compreender, que pode iniciar qualquer jornada a partir de onde está para onde deseja ir. A sua jornada para o sucesso, seja ele qual for, não precisará nunca mais ser confusa ou desconcertante, porque sinais emocionais claros estarão presentes para conduzi-lo para tudo o que você deseja.
Todos os seus dias serão formados por momentos estimulantes e interessantes, por pensamentos provocadores que o levarão, esteja você consciente ou não do que está fazendo, a emitir sinais vibráteis que são lançados para o seu futuro. Esses sinais vibráteis são responsáveis por tudo o que lhe acontece.
Qualquer circunstância, um acontecimento, um encontro com qualquer pessoa – tudo o que vivencia é causado por aquilo que você vem pensando, indagando, ponderando, lembrando, observando, considerando e imaginando. Você está literalmente concebendo a criação da sua vida.
Ficamos extremamente satisfeitos por você agora compreender a importância de tomar consciência das suas emoções, porque elas o ajudam a perceber – enquanto você está lembrando, ponderando, observando ou imaginando – se está construindo o seu futuro com alguma coisa de que gostará ou com algo de que não gostará. E como 99% de cada criação são concluídos antes que você seja capaz de observar qualquer evidência física dela, é extremamente importante compreender a cada momento o que suas emoções estão lhe dizendo sobre a direção de seus pensamentos.
Ao utilizar o seu Sistema de Orientação Emocional, você poderá direcionar seus pensamentos para coisa agradáveis antes de elas se manifestarem. Se esperar que uma manifestação ocorra para então começar a redirecionar seus pensamentos, o processo ficará muito mais difícil, porque quando uma coisa indesejada se manifesta é muito mais trabalhoso concentrar-se naquilo que é desejado.
Quando em determinado momento você aceita que está no processo de criar coisas que se manifestarão na sua experiência e que está deliberadamente direcionando seus pensamentos para idéias que o façam sentir-se bem, a sua experiência futura estará repleta de experiências que o encantarão quando se manifestarem fisicamente.
Este livro (O extraordinário poder da intenção) foi escrito para ajudá-lo a ter uma percepção consciente das coisas que ainda não vê, mas que está no processo de criar. Não acreditamos que você deliberadamente escolheria atrair um câncer, um acidente de carro, um desastre financeiro ou um divórcio para a sua experiência. Mas, como tantos pensamentos sobre essas questões ocupam freqüentemente sua mente sem que tome consciência de que os está oferecendo, muitas vezes você se surpreende quando uma coisa indesejada ocorre. Às vezes ela parece ter saído do nada. Mas ela não saiu do nada e não ocorreu instantaneamente. Ela aconteceu, finalmente, depois que os muitos pensamentos que você irradiou encontrarem equivalentes vibráteis.
Agora, depois de ler este livro, você não se surpreenderá mais quando coisas boas ou más se manifestem. Porque esperamos que sempre que se concentrar num pensamento você estará consciente da emoção correspondente e saberá se ela indica que está se aproximando ou se afastando daquilo que quer. Daqui em diante, desejamos que você tome ciência do relacionamento vibrátil entre o seu agora e a sua futura criação.
Você sabe que se encontra na extremidade da Escala de Orientação Emocional que indica paixão, alegria, valorização e amor porque percebe sua autoconfiança e liberdade. E sabe que se encontra na extremidade que indica depressão e medo porque percebe sua perda de autoconfiança e seu aprisionamento.
Você agora compreende que a única coisa que pode impedi-lo de ter a alegre abundância de todas as coisas boas que deseja é a sua própria oferta vibrátil que o leva em direção oposta a essas coisas.
Você agora sabe que suas emoções maravilhosas o estão ajudando a estabelecer sua rota sobre todos os assuntos e que, ao seguir a trilha povoada por emoções cada vez mais agradáveis, você lançará foguetes vibráteis para o seu futuro, e este lhe trará um constante fluxo de criações adoráveis.
Agora, quando sentir a frustração aumentar – ou a impaciência ou a raiva surgir -, você será capaz de constatar e refletir: Qual é a vibração que estou lançando neste momento? Vou parar um instante, redirecionar meus pensamentos e mudar o curso de minha provável manifestação. Não vou deixar meus pensamentos me dominarem – apoiados pela Lei da Atração – e simplesmente viver as conseqüências da falta de controle e de rumo dos meus pensamentos.
Embora você possa mudar qualquer experiência a qualquer momento, mesmo depois que ela se manifesta nós o incentivamos a efetuar essa mudança enquanto a experiência está sendo vibratilmente formada – porque é muito mais fácil. Sobretudo, queremos que você considere os milhões e milhões de momentos da sua verdadeira experiência de vida que podem estar lhe fazendo se sentir bem neste momento.
Sim, é claro, a manifestação virá, boa ou má. Desejada ou indesejada, ela está a caminho. Mas a sua vida se encontra no agora, as suas emoções estão no agora e a maneira como você está se sentindo se encontra no agora. Direcione seus pensamentos para melhorar o seu momento atual – e as manifestações cuidarão de si mesmas.
A partir de nosso ponto de vista Não-Físico, nós gostamos muito de observar a vida de vocês desabrochando. Se você pudesse ver o seu futuro como nós o vemos, perceberia que há coisas, desejadas e indesejadas, que estão se formando neste exato momento, bem à sua porta. E hoje, amanhã ou depois de amanhã, irá acrescentar mais um pensamento, mais uma vibração direcionada para o que já está no futuro que causarão o ponto de inclinação ou manifestação para você. Portanto, realmente vale a pena sintonizar o seu glorioso Sistema de Orientação Emocional para se conscientizar do que está prestes a se manifestar.
Você veio ao mundo nesse corpo, voltado para essa realidade tempo-espaço, porque adora criar. Para você, em todo o Universo não há nada mais agradável do que moldar, com o poder da sua própria concentração, a Energia que cria mundos.
Você não veio ao mundo para remendar um mundo quebrado, porque o seu mundo não está quebrado.
Você não veio ao mundo para ajudar os outros a verem os erros de seus caminhos e redirecioná-los.
Você não veio ao mundo para obter a aprovação de outras pessoas.
Você veio ao mundo para sentir, com excitação, as suas próprias preferências nascerem. Veio ao mundo compreendendo que poderia então sentir o relacionamento vibrátil entre o seu novo desejo e a sua atual perspectiva e ansiosamente aguardar o processo de equilíbrio de Energia desses dois pontos vibráteis.
É claro que você aguardava com ansiedade a manifestação das suas criações, mas a sua verdadeira ênfase sempre esteve nos 99% da criação que ocorrem antes da manifestação. A excitação causada por uma manifestação, seja qual for a criação, é apenas uma breve excitação que rapidamente se torna a plataforma a partir da qual você lançará as suas próximas criações. Mas a sua vida é de fato os 99% da criação que ocorrem antes da manifestação.

• Hoje, não importa aonde eu esteja indo, não importa o que eu esteja fazendo, não importa com quem eu esteja fazendo... nada é mais importante do que me sentir bem.
• Hoje procurarei aquilo que estou querendo ver.
• Eu sou o criador da minha própria realidade.
• Neste exato momento, buscarei o pensamento que me traga o máximo de bem-estar que eu puder obter.
• Pensamento por pensamento e sentimento por sentimento, direcionarei as vibrações da minha mente para o alinhamento.
• Sentirei a verdadeira essência vibrátil do meu Ser e direcionarei todos os meus pensamentos para o alinhamento vibrátil, porque este é o verdadeiro significado do equilíbrio de energia.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Pa ti Luar

Selinhos para a minha Lua Feiticeira






e porque isto do selinhos vicia, dois selinhos pa ti, com muito amor

e não precisas seguir as regras, faz apenas nenhuma, o aquelas que quiseres!!

só te quer agradecer


bijus



Entrega de selos

Os selos lindos que a minha Amiga Luar me ofereceu 




entrego com todo o carinho a:


Depoimentosveridicos


Meu cantino Encantado

Espaço COISAS DA ALMA Fernanda Tomaz

Swiftee

O Cristal de uma Mulher

Viva mais 

Pensamentos

Quando os recebi deram-me estas regras para cumprir, mas se não as quiser seguir a escolha é sua!!  ou senão, invente as suas regras!!


Regras a cumprir :
1- Exibir a imagem do prémio.
2- Postar o link do blog que o premiou.
3- Publicar as regras.
4- Indicar 10 blogs para receberem.
5- Avisar os indicados.


quarta-feira, 22 de junho de 2011

Meus óscares

e com orgulho, dento da minha Alma, e dar aqui graças a Deus por ter encontrado neste mundo virtual uma pessoa fantástica e incrivelmente  "amiga" que me tem dado a mão e o ombro para chorar quando mais preciso ...
aqui deixo os selos que ganhei da minha Linda Luar, e que assim recebo: 




aqui estão eles: 




obrigada por tudo Luar
O Oceano de Sofrimento


O resultado de todas as ações que praticamos forma a trama da nossa vida, como a de um tapete: cada fio, cada detalhe. Cada um de nós continua a tecer diferentes realidades físicas e ambientais, amarrando-nos mais fundo aos ciclos de sofrimento. Nossa experiência depende do nosso karma, que produz graus variados de enganos e ilusões. Se os venenos da mente são agudos, experimentamos uma realidade muito dolorosa, infernal. Se os venenos se reduzem, nossa realidade se torna menos severa, mais agradável.

O Buddha falou sobre sofrimento do mesmo modo que falaríamos sobre doença a uma pessoa enferma, simplesmente para ajudá-la a compreender que não está bem, que há algo de errado. Se não houvesse cura para o sofrimento, não haveria porque discuti-lo. Mas o fato de que a cura existe faz com que seja de capital importância reconhecermos o sofrimento como fundamental; podemos, assim, começar a encontrar essa cura.

Há três tipos de sofrimento. O primeiro é o sofrimento que se sobrepõe ao sofrimento. Uma coisa ruim acontece em cima de outra, e parece não haver justiça alguma no processo. Quando você pensa que a situação em que está não pode ficar pior, ela fica. Você perde dinheiro, depois um parente, depois a juventude — há inúmeras maneiras pelas quais sofremos. O segundo tipo é o sofrimento da mudança. Nada é confiável ou consistente. Por maior que seja a nossa esperança de ter uma base sólida sobre a qual nos apoiarmos, tudo aquilo com o que contamos sempre se corrói, criando grande doŲ. O terceiro é o sofrimento que tudo permeia. Da mesma forma que, quando você espreme uma semente de gergelim, constata que ela está permeada de óleo, pode parecer que a nossa vida seja feliz, mas, quando somos espremidos, sofremos. Tão certo quanto o fato de que nascemos é o fato de que iremos ficar doentes, envelhecer e morrer.

Dentro do samsara, há incontáveis seres cujo sofrimento é, de longe, maior do que o nosso. Noventa e cinco por cento deles experimentam uma realidade brutal. A vida de apenas cinco por cento — humanos, semideuses e deuses mundanos — é relativamente bem afortunada. Entretanto, nós humanos freqüentemente nos lamentamos da nossa existência, queixando-nos amargamente dos nossos terríveis problemas. Nunca nos sentiríamos assim se tivéssemos uma apreciação do grau tremendo de sofrimento que existe em outros reinos. A pior de todas as experiências humanas é ainda mil vezes mais tolerável do que aquilo que os seres de menor sofrimento nos reinos inferiores têm que suportar. Seu sofrimento é tão lancinante que mal podemos concebê-lo; sua duração é insondável. Para alguns seres nem mesmo a morte serve de escape, até que se passem centenas de milhares de anos, às vezes eras inteiras.

A maioria dos seres nesses reinos não dispõem de tempo para ajudar a si próprios. Seu sofrimento permanece tão intenso que não têm um momento, uma oportunidade, para meditar ou para examinar a si mesmos ou sua vida de um ângulo diferente. Outros seres, em reinos superiores, vivem embriagados de prazer. Um falso contentamento permite-lhes se assentar em um estado de inatividade. Quando sua longa vida inevitavelmente chega ao fim, experimentam terrível sofrimento, pois não usaram suas amplas oportunidades para criar condições para sua felicidade futura.

A idéia de que podemos vivenciar reinos de sofrimento que chamamos de infernos deixa muitas pessoas céticas ou enraivecidas. Elas não acreditam em inferno; pensam que este conceito não passa de uma tática que algumas religiões empregam para assustar e controlar as pessoas. Em certo sentido, é verdade que o inferno não existe. Se fizermos uso de toda a tecnologia do mundo para tentar chegar ao centro da Terra, nunca acharíamos o inferno. No entanto, muitos seres estão sofrendo no reino dos infernos neste exato momento.

O inferno é o reflexo dos enganos e fantasias da mente, dos pensamentos e intenções raivosos, e das palavras e ações nocivas que eles produzem. Se não forem controlados, não há como deixarmos de vivenciar o inferno. Os praticantes precisam ser cuidadosos. Alguns podem pensar, "Minha meditação é tão profunda que eu não tenho que me preocupar com o karma." Mas as repercussões das visões enganosas são infalíveis, e para se renascer no inferno não é preciso de muito engano.

Algumas pessoas experimentam o inferno mesmo enquanto contam com um corpo humano. Muitas delas ocupam nossos hospitais. Há pessoas que são atormentadas pela idéia de que alguém está tentando assassiná-las ou arrancar sua carne. Há algumas que têm a experiência de estar sendo comidas vivas ou estar presas em um incêndio. Poderíamos estar sentados no mesmo quarto que elas, e não enxergar nada do que sofrem. Ao mesmo tempo, podemos estar bem ao lado de um grande meditador que vivencia o céu, a terra pura, sem que nós mesmos enxerguemos isso.

O inferno e o céu, na verdade, não estão tão longe um do outro. Entender isso é um pouco capcioso, já que a experiência do céu é muito diferente da do inferno. Mas isso ganha sentido se considerarmos o exemplo de uma substância simples como a água. Para os humanos, a água é crucial para a manutenção da vida; para os peixes, é o seu meio ambiente; para os deuses mundanos, uma substância semelhante à ambrósia; para os fantasmas famintos, sangue e pus; para os seres dos infernos, lava derretida. Não é que a substância em si varie de um caso para outro, mas, sim, que se modifica a percepção e a experiência que seres diferentes têm dela. Da mesma forma que nossa visão se altera quando pomos óculos com graus diferentes, nossa experiência da realidade é inteiramente condicionada por nossa percepção, a qual é determinada pela extensão dos nossos enganos e fantasias.

Em escala cósmica, as experiências das seis classes de seres nos três reinos da existência (os reinos do desejo, da forma e da não-forma) — a existência cíclica em seu todo — constituem dramas coletivos que se desenrolam como expressão do karma grupal desses seres. Quando vemos um filme projetado numa tela, conferimos a ele uma certa medida de realidade, e por essa razão somos afetados por ele. Ficamos contrariados, radiantes, aterrorizados ou enraivecidos por aquilo que vemos. Não importa que conheçamos a origem do cinema ou compreendamos como ele funciona. Quando assistimos a um filme, ele nos modifica ao evocar determinados estados emocionais. Podemos dar um passo atrás e dizer que, em termos últimos, não há nada ali, é apenas um filme. Mas na maior parte do tempo permanecemos totalmente absorvidos por aquilo a que estamos assistindo. Se um grupo de pessoas se sentar diante da mesma tela de cinema, serão afetadas mais ou menos da mesma maneira. Uma comédia vai deixá-las alegres; um filme de terror irá amedrontá-las. Como seres humanos que compartilham uma realidade coletiva denominada reino do desejo, verificamos que os impulsos mais fortes em nossa mente são o desejo e o apego, e enxergamos as coisas por modos muito semelhantes.

Embora grandes meditadores consigam vislumbrar outros reinos, nós não temos prova absoluta sequer de que o nosso mundo fenomênico humano exista além das nossas mentes individuais e coletivas. Ainda assim, da mesma forma que tomamos nossos sonhos como reais enquanto estamos dormindo, consideramos real o nosso reino humano. E os cinco outros reinos são tão reais para os seres que neles existem quanto a nossa experiência é para nós. O inferno parece tão real para um ser do inferno, o reino dos fantasmas famintos tão real para um fantasma faminto, quanto o reino humano parece para nós. Em última análise, o sofrimento provém não dos fenômenos desses reinos, mas do fato dos seres conferirem realidade a eles.

Assim, não é contraditório dizer que nossa experiência é real ou verdadeira, e ao mesmo tempo falsa. Nem é contraditório dizer o mesmo de qualquer outro reino. Se insistimos que o reino humano é real, então todos os demais reinos são reais, porque os seres que neles existem os experimentam como reais.

O sofrimento mais agudo de todos os reinos é aquele dos dezoito infernos, o reflexo e as conseqüências kármicas da raiva e do ódio, e de sua expressão em pensamentos, palavras e ações. Os seres aí padecem de calor e frio extremos. Nos infernos quentes, chamas do comprimento de um antebraço cobrem toda a superfície. Com cada passo, o pé se queima. Quando é levantado, se cicatriza; então, com o próximo passo, se queima novamente. O fogo arde com uma intensidade inconcebível. Diz-se que as chamas produzidas pela madeira pura de sândalo são sete vezes mais quentes do que o fogo comum, e sete vezes mais quente ainda será o fogo que consumirá o universo no final desta era; mas o fogo dos infernos quentes é sete vezes ainda mais quente do que este último.

O corpo dos seres dos infernos não é igual ao nosso. Nosso corpo de carne e osso possui um certo nível de tolerância; consegue suportar ou sentir dor somente até um determinado ponto. Mas os seres dos infernos, cujo corpo é tão sensível quanto um globo ocular, não desmaiam, perdem consciência nem morrem até que seu karma termine.

Em um dos infernos, imagens de todos aqueles seres que matamos — quer seja um veado, um inseto ou uma pessoa — surgem tão grandes quanto montanhas e nos esmagam entre elas. À medida que se separam, nosso corpo se recompõe uma vez mais, apenas para ser novamente esmagado, e assim indefinidamente. Em um outro inferno, os seres nascem com uma risca que atravessa o comprimento de seu corpo, ao longo da qual são cortados ao meio por uma serra. As duas metades se restabelecem e se unem, apenas para ser cortadas de novo, e assim sucessivamente.

Nos infernos frios, o meio ambiente gelado, inóspito, brutal, não oferece nem roupa nem abrigo. Se os seres humanos adormecem e morrem quando ficam congelados, os seres neste reino de enregelar os ossos não morrem até que seu karma se exaura, por mais congelados que fiquem. Seus corpos racham como carne deixada por muito tempo num congelador.

Centenas de vezes mais horripilante do que qualquer outro reino, o inferno é simplesmente o pior lugar para se estar.

Os fantasmas famintos padecem de imensa fome, sede e exposição ao tempo. Novamente, este reino não é simplesmente uma metáfora, mas muito real para os seres aprisionados nele, pois vivem constantemente esfomeados e ardendo de sede. Os seus próprios corpos são construídos de modo a criar dor. Têm uma cabeça enorme, imensa como uma montanha, e barriga do tamanho de um vale. Seu pescoço é tão diminuto quanto um pequeno fio do rabo de um cavalo, de modo que nada pode passar pela garganta. Seus membros são tão descarnados que não conseguem sustentar o corpo, e é extremamente difícil para eles se movimentar e procurar comida. A maior parte do tempo, os fantasmas famintos podem só ficar deitados de bruços e passar fome. Se chegam a encontrar alguma comida, geralmente é imunda ou apodrecida, e, se conseguem engoli-la, vira fogo em seu estômago.

Ganância e apego extremos são as causas kármicas do nascimento no reino dos fantasmas famintos. Enquanto o karma que sustenta sua existência não se exaure, os fantasmas famintos são incapazes de morrer, apesar de sua agonia, que pode durar milhares de anos.

No reino animal, o sofrimento resulta principalmente do ataque de uma espécie pela outra. Dado que os animais constantemente buscam matar e comer-se uns aos outros, vivem sob perpétuo medo. Os animais selvagens não comem um único bocado de capim sem olhar de um lado para outro, para se certificar de que estão seguros. O tratamento rude dos animais domesticados pelos humanos também causa grande dor e sofrimento. Os animais possuem liberdade muito limitada; por maior e mais potente que seja o elefante, por mais belo que seja o pavão, não possuem a capacidade de refletir sobre alguma coisa e então agir. Este karma provém de ações não-virtuosas motivadas por ignorância e estupidez.

Ações virtuosas manchadas por todos os venenos da mente, sem predominância de qualquer um deles, produzem renascimento como ser humano. Embora, como vimos, as condições deste reino sejam relativamente bem afortunadas, não obstante conhecemos o sofrimento ligado ao nascimento, velhice, doença e morte, ligado à guerra, violência, fome e, mais sutilmente, ao desejo não-preenchido.

Os semideuses têm um meio ambiente agradável, mas são atormentados por inveja e espírito de competição e, assim, estão sempre envolvidos com brigas, derramamento de sangue e guerras. Renascimento como semideus é produzido por ações virtuosas manchadas por inveja e competição, ações que trazem ajuda mas que são praticadas apenas para demonstrar que alguém está fazendo mais do que o outro, ou que é superior ao outro.

No reino dos deuses mundanos, o karma da virtude manchado pelo orgulho produz condições maravilhosas. Os deuses mundanos nunca se sujam, nunca cheiram mal, nunca têm que lavar sua roupa. As flores que ornamentam seus corpos conservam-se frescas para sempre — até sete dias antes de sua morte. Então suas flores se deterioram, seus corpos ficam sujos e começam a exalar odor, e eles sabem que logo morrerão. Por sete dias — o equivalente a trezentos e cinqüenta anos humanos — passam pela angústia de saber em que reino inferior vão cair. Por fim, quando o karma que sustenta sua existência se exaure, os seres do reino dos deuses morrem.

Os deuses do reino da forma e da não-forma vivem em um tipo rudimentar de samadhi ou absorção meditativa. Renascimento no reino da não-forma é produzido por apego à estabilidade, renascimento no reino da forma por apego à clareza, e renascimento como deus no reino do desejo por apego ao prazer de certos estados sublimes de felicidade. Embora esses renascimentos não sejam terríveis, ainda são samsáricos. Mais cedo ou mais tarde, uma vez exaurido o karma positivo que mantém aquela existência, a embriaguez desses seres terminará e eles renascerão em algum reino inferior, mais doloroso.

Quando tomamos consciência do sofrimento e das limitações da existência cíclica, passamos a ter motivação para encontrar uma saída, da mesma forma que, quando nos damos conta de que estamos doentes, buscamos remédio. Ao compreender que a virtude e a não-virtude determinam se a nossa experiência será de felicidade ou de tristeza, prazer ou dor, cabe-nos uma escolha: podemos mudar as nossas ações e cultivar qualidades virtuosas, buscando liberação para nós mesmos e para todos os seres, ou podemos continuar a criar não-virtude, perpetuando sofrimento sem fim.

Quando realmente começamos a compreender o sofrimento, começamos a ver o samsara como um pântano pútrido dentro do qual caímos. Nosso único desejo passa a ser o de libertarmos a nós mesmos e aos outros. Essa atitude de buscar liberação para nós e os para outros é uma qualidade que denominamos renúncia, um elemento crucial para nosso ingresso no caminho espiritual.
Através da contemplação contínua da nossa existência humana preciosa, da morte e impermanência, do karma e sofrimento, a mente se volta para o dharma. Se sua visão consegue atravessar os três venenos, o combustível do samsara, de modo que eles deixam de dominar sua mente, então essas quatro contemplações fizeram seu trabalho. Se não, prossiga refletindo sobre os quatro pensamentos até que se tornem parte de sua pessoa, até que eles tenham fundamentalmente transformado sua visão do mundo.




(Chagdud Tulku Rinpoche. Portões da Prática Budista.
Traduzido por Manoel Vidal, revisado por Cinthia Sabbado, Marta Rocha e Maurício Sabaddo.
Três Coroas: Rigdzin, 2000. Pág. 93-101. )

A Impermanência

Um dos melhores métodos para desenvolver prática espiritual pura é meditar continuamente sobre a impermanência. Começamos olhando para o universo inanimado. Em um certo tempo, eras atrás, não havia nada de concreto aqui. Segundo a cosmologia buddhista, primeiro apareceu o elemento ar, que deu origem aos elementos fogo, água e terra, à medida que o universo físico passou a existir, com o Monte Meru no centro, cercado pelos quatro continentes. Então, formas dotadas de vida começaram a surgir, primeiramente a partir de divisão celular, depois a partir de vários tipos de reprodução assexuada, e então reprodução sexuada, inclusive nascimento vindo de um ovo e do ventre de uma mãe.

Esse vasto período de criação culminou na atual "era de duração", durante a qual haverá dezoito ciclos ascendentes e descendentes de bem estar e felicidade. À medida que o universo se aproximar de seu fim e o meio ambiente físico deixar de ser propício à vida, seres em número crescente renascerão em outros universos. Por fim, a matéria física irá se desintegrar até que, novamente, nada sobrará.

Ao pensarmos sobre essas coisas, nossa percepção do universo começa a mudar; damo-nos conta de que, por mais verdadeiro e sólido que ele pareça ser, não é eterno. Em escala menor, vemos que cadeias de montanhas vieram e se foram, e, onde oceanos enormes surgiram, agora encontramos terra seca. Onde cidades outrora floresceram, hoje existem regiões estéreis e vazias, e, no lugar de terras inóspitas, cidades enormes cresceram. Ganhamos consciência das constantes mudanças em nosso meio ambiente, desde os tempos pré-históricos até o período que a história registra.

As mudanças são contínuas. Dia a dia, uma estação corre para a próxima. O dia vira noite, a noite, dia. Prédios não ficam velhos de repente; na realidade, a cada segundo, desde o momento em que foram construídos, começam a deteriorar.

Nosso meio ambiente, corpo físico, fala e pensamentos modificam-se tão velozmente quanto uma agulha espeta uma pétala de rosa. Se você espetar uma pilha de pétalas de rosa com uma agulha, isso pode lhe parecer um único movimento; na realidade, porém, ele se compõe de muitas etapas distintas. Você penetra cada pétala separadamente, atravessando sua superfície externa, a parte do meio, saindo pelo outro lado; atravessa o espaço entre uma pétala e a próxima, o lado de cima desta, e assim por diante. O espaço de tempo que leva para a agulha atravessar cada uma dessas etapas sucessivas pode ser usado como uma unidade de medida para descrever a velocidade a que mudam todos os fenômenos do nosso mundo.

Pense nos seres que habitam este universo. Quantas pessoas nascidas cem anos atrás continuam vivas? Quantos de nós que estamos agora sobre esta Terra estaremos aqui daqui a cem anos? As personagens da história — por mais ricas que foram, por mais famosas ou bem sucedidas, por mais vastos os territórios sob seu domínio — agora são apenas lendas. Nos ensinamentos buddhistas, conta-se muito a história de um rei tão poderoso que controlava não só o mundo conhecido como também o reino de Indra, rei dos deuses. No entanto, somente sua lenda permanece.

Os mestres extraordinários do passado — os oito grandes reis do dharma, os vinte cinco discípulos principais do grande mestre Padmasambhava, mesmo o Buddha Shakyamuni, uma manifestação de compaixão suprema em forma humana que nasceu em um bosque em Lumbini (hoje Nepal) e ao longo de sua vida realizou doze grandes feitos — não estão mais aqui. Isso não significa que suas bênçãos morreram com seus corpos físicos, pois as qualidades positivas da mente iluminada permeiam os três tempos do passado, presente e futuro. Porém, de nossa perspectiva pessoal, eles desapareceram, da mesma forma que, quando o mundo gira, parece-nos que o Sol se põe.

Vemos também a ação da impermanência em nossos relacionamentos. Quantos de nossos familiares, amigos, pessoas de nossa cidade natal morreram? Quantos se mudaram para outros lugares, desaparecendo de nossa vida para sempre?

Quando éramos crianças pequenas, não suportávamos ficar longe de nossos pais. Às vezes, se nossa mãe saía do quarto por dois ou três minutos, ficávamos em pânico. Agora, escrevemos para nossos pais, quem sabe, uma vez por ano. Pode ser que morem do outro lado do mundo. Talvez nem saibamos se eles estão vivos. Como as coisas mudaram!

A um tempo, sentíamo-nos felizes apenas ao estar junto de uma pessoa amada. Só segurar a mão daquela pessoa nos provocava sentimentos maravilhosos. Agora, talvez não possamos aturá-la, não queiramos saber coisa alguma sobre ela. Tudo o que se forma tem que se desfazer, tudo o que se junta tem que se separar, tudo o que nasce tem que morrer. Mudanças contínuas, mudanças implacáveis, são constantes em nosso mundo.



"Então", você poderia pensar, "o universo muda continuamente, e da mesma forma os relacionamentos; no entanto, 'eu' sou sempre o mesmo." Mas quem sou "eu"? Sou o corpo? No momento da concepção, o corpo humano começa como uma única célula, então se multiplica em uma massa de células que se diferenciam para formar vários sistemas orgânicos. Depois de virmos ao mundo como um bebê plenamente formado, começamos a crescer a cada momento, para nos tornamos adultos.

Esse processo físico ocorre semana a semana, mês a mês, até que chega um tempo em que percebemos que as coisas estão ficando um pouco piores, e não um pouco melhores. Não estamos mais crescendo; estamos envelhecendo. Inexoravelmente, perdemos certas capacidades: nossa vista se enfraquece, nossa audição falha, nosso raciocínio se embaralha. É a impermanência cobrando seu preço.

Se vivermos a duração normal de uma vida e tivermos uma morte natural, ficaremos mais e mais enfraquecidos, até que, um dia, não conseguiremos mais sair da cama. Talvez não seremos capazes de nos alimentar, de evacuar ou de reconhecer as pessoas à nossa volta. Em um dado momento, morreremos, nosso corpo uma casca vazia, nossa mente vagando pela experiência do pós-morte. Este corpo, que foi tão importante por tanto tempo, será queimado ou enterrado. Pode mesmo vir a ser devorado por animais selvagens ou pássaros. Em um dado momento, nada restará para fazer lembrar aos outros que um dia estivemos aqui. Nós nos tornaremos nada mais do que uma lembrança.

"Bem", você poderia pensar, "o corpo é impermanente, mas o 'meu eu real', a minha mente, não é." No entanto, se você olhar para sua mente, verá que não é a mesma de quando você era um bebê. Naquele tempo, tudo o que você queria era o leite da sua mãe e um lugar aquecido para dormir. Um pouco mais tarde, alguns brinquedos deixavam você contente. Mais tarde, foi um namorado ou uma namorada, e depois um certo emprego ou casamento ou casa. Suas necessidades, desejos e valores mudaram; não todos de uma só vez, mas segundo a segundo. Mesmo ao longo de um único dia a mente experimenta felicidade e tristeza, pensamentos virtuosos e não-virtuosos, repetidas vezes. Se tentamos segurar um determinado momento, mesmo enquanto pensamos em fazê-lo ele já desapareceu.

Como o corpo e a mente, nossa fala está constantemente mudando: cada palavra que enunciamos se perde; uma outra se apressa para substituí-la. Não há nada que possamos apontar que seja imutável, estável, permanente.

Precisamos incutir em nós mesmos uma consciência contínua da impermanência, que esteja viva momento a momento. Isso porque a vida é uma corrida contra a morte, e a hora da morte é desconhecida. Contemplar a aproximação da morte muda as nossas prioridades e nos ajuda a abrir mão do nosso envolvimento obsessivo com coisas ordinárias. Se permanecermos sempre conscientes de que cada momento pode ser o nosso último, iremos intensificar a nossa prática para não desperdiçarmos nem fazermos mal uso da nossa preciosa oportunidade humana. À medida que amadurece a contemplação dessa verdade, será fácil apreendermos os mais elevados, os mais profundos ensinamentos buddhistas. Vamos ter alguma compreensão de como funciona o mundo, como as aparências surgem e se transformam. Vamos passar de um mero entendimento intelectual da impermanência para a compreensão de que todas as coisas sobre as quais baseávamos nossa crença na realidade são apenas um cintilar de mudança.

Começaremos a ver que tudo é ilusório, como um sonho ou uma miragem. Embora os fenômenos apareçam, na verdade nada estável está de fato presente.

Então, poderíamos perguntar, o quê terá utilidade para nós quando morrermos? Não importa quão agradáveis ou simpáticos as pessoas pensem que somos; depois que estivermos mortos, elas não vão querer o nosso corpo por perto. Nem serão capazes de ir conosco, não importa quem sejam ou quão felizes nos fizeram. Temos que morrer sós. Isso é verdade mesmo se formos famosos, mesmo se formos tão ricos quanto o próprio deus da prosperidade. Na hora da morte, toda a riqueza que acumulamos, todo o poder, status e fama que conseguimos, todos os amigos que reunimos — nenhuma dessas coisas nos será de valia. Nossa consciência será extraída do ambiente em que estivermos de forma tão cirúrgica quanto um fio de cabelo de um bloco de manteiga. A única coisa que irá nos beneficiar será nossa prática do dharma; a única coisa que nos seguirá na morte será nosso karma positivo e negativo. Nada mais.

Pergunta: Se contemplarmos a impermanência dessa forma, não ficaremos apáticos às necessidades dos outros?

Resposta: Nossa intenção no caminho do dharma é aliviar o sofrimento dos outros tanto quanto pudermos, por todas as formas que pudermos, até que, por fim, sejamos capazes de aliviar todo o sofrimento de todos os seres. Ao mesmo tempo, mantemos a consciência da impermanência em todas as coisas que fazemos, lembrando-nos de que, como um sonho, a vida cotidiana acontece, mas não é intrinsecamente real. Fazemos tudo o que está ao nosso alcance, no contexto dessa experiência de sonho, para trazermos benefícios aos outros e para reduzirmos os venenos da mente, de modo a não causarmos mal a nós mesmos nem aos outros. Se praticarmos virtude e reduzirmos a não-virtude, este sonho que chamamos vida irá melhorar. Recordando-nos da natureza da nossa experiência, que é impermanente, como um sonho, iremos por fim despertar, e ajudar os outros a também fazer o mesmo.

À medida que a nossa compreensão da impermanência e da natureza ilusória da realidade aumenta, também aumenta nossa compaixão. Vemos que, aprisionados em sua crença no sonho, sem nenhuma compreensão da impermanência, os seres vivem angústia e sofrimento tremendos. Pelo fato de acreditarem na solidez da sua experiência, reagem com apego e aversão quando seu karma surge, criando mais karma negativo e perpetuando os ciclos de sofrimento.

Pergunta: Qual a diferença que existe entre alguém contemplar a impermanência e ficar olhando no relógio, querendo saber quando irá terminar aquilo que está fazendo?

Resposta: Tudo se resume a motivação. Se a sua motivação não for auto-centrada, você não notará o relógio tanto assim. Se for, então as coisas parecerão tomar mais tempo do que você esperaria. Eu não o desaconselho a observar o relógio, mas observe o relógio do samsara: pergunte-se dentro de quanto tempo o samsara vai acabar. Então, a questão passa a ser, "Como eu posso cortar o apego? Como eu posso cortar a aversão? Como eu posso cortar a confusão?" Ao eliminarmos os obscurecimentos da mente, conseguiremos, com o tempo, por fim ao samsara.

Pergunta: Acho que o que o Sr. está dizendo é verdade, mas ainda vejo que o peso dos muitos anos em que não pensei assim é mais forte do que minha crença no ensinamento sobre impermanência. Como posso mudar esse hábito?

Resposta: Suponha que comecemos com um exercício muito simples. Examine a importância que você atribui à comida que come, suas roupas, sua casa, seus amigos, suas conversas, os livros que lê. Você provavelmente verificará que os considera tão cruciais que trabalha dia e noite para mantê-los.

Agora, examine essas coisas por um ângulo diferente. Olhe para cada uma delas e pergunte-se se são permanentes. Pergunte se, em última análise, são algo em que você possa se fiar. Na hora da sua morte e para além dela, essas coisas serão confiáveis? E será que valem todo o esforço e preocupação que você dedica a elas agora? Pensar sobre a impermanência e a morte nos ajuda a nos desvencilhar de valores mundanos e a mudar nossas prioridades.

Através da contemplação e aplicação dos ensinamentos em cada momento da sua vida, você verá seus hábitos se transformarem. Você não conseguirá mudar apenas lendo livros. Você precisa procurar, investigar, questionar e examinar. Pode ser que você já tenha sido exposto a todos os tipos de idéias e entendido muitas coisas intelectualmente, mas sem uma contemplação que o leve mais fundo em sua prática e lhe permita chegar a algumas conclusões muito fundamentais, você não será capaz de dar o próximo passo.

Para descobrir o que é realmente importante para você, tire alguns minutos agora para refletir sobre o que foi dito aqui, e veja como isso se relaciona com sua própria experiência. Apenas por meio da contemplação você poderá descobrir se a prática espiritual faz sentido para você e toca seu coração.

 
(Chagdud Tulku Rinpoche. Portões da Prática Budista.
Traduzido por Manoel Vidal, revisado por Cinthia Sabbado, Marta Rocha e Maurício Sabaddo.
Três Coroas: Rigdzin, 2000. Pág. 68-75. )

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A física quântica praticada pelo observador



 
ESCOLHENDO A CRIAÇÃO DE SUA REALIDADE DE MODO LÚCIDO

O modo como observamos o mundo que nos cerca é a escolha da realidade na qual desejamos estar inseridos, mesmo que isso por vezes seja de difícil compreensão.
De acordo com a física quântica, todas as nossas possibilidades estão acontecendo simultaneamente, porém quando focamos a nossa atenção para a realidade, apenas uma possibilidade é concebida como real para que possamos experimentá-la como experiência de vida.

O problema é que, devido às nossas dependências emocionais, acabamos repetindo padrões indesejados, achando que, apesar das infinitas possibilidades de escolhas que temos, não possuímos a capacidade de rumar para o diferente. E - como conseqüência - passamos a nos repetir indefinidamente.
A questão é que as nossas identidades estão insistentemente engajadas neste circuito. As respostas bioquímicas em nosso corpo que têm a ver com a alegria, o prazer ou a dor, seguem sempre o mesmo caminho emocional e acabamos por não conceber, por mais que possamos desejar, a idéia de que podemos ter outros coloridos com relação à alegria ou a situações totalmente novas. Na grande maioria das vezes sequer concebemos a hipótese de que atuamos em meio aos nossos vícios e padrões emocionais repetitivos. E mesmo se já estivermos aceitando estas percepções, talvez devido às nossas crenças (e dependências emocionais?), ainda custamos a conceber que temos o poder para criar algo de efetivamente novo em nossas vidas.

Se desejarmos algo intensamente, a ponto de perdermos a referência de quem somos - da nossa identidade conhecida - e nos tornarmos o desejo em si, o novo pode emergir em situações totalmente inusitadas. A fixidez da vida repetitiva poderá se transformar naquilo que a consciência é em essência: Mutante.
Mutante porque cria constantemente. (Atente que você pode criar permanentemente a mesma coisa, mudando apenas o cenário de vida e pior, às vezes nem isso).
A consciência de si mesmo se fortalece com a assimilação e com a elaboração das experiências vividas, podendo deste modo partir sempre para o novo.
No caso de sua incessante e prejudicial repetição, a consciência, ou seja, o observador, tenderá a entrar em tédio profundo, aos poucos retirando a sua atenção do foco da realidade que criou. Gera então o desespero e a desolação... que por sua vez podem criar uma outra tipologia de deformação emocional. E por aí vai...

Encontre um espaço dentro de si mesmo e questione sobre a sua vida. Observe atentamente o que deseja mudar e faça um movimento.
Abra espaço dentro de si e visualize a situação ideal para você. Conceba que essa criação de realidade é totalmente passível de ocorrer. Pesquise seus ambientes emocionais e deflagre os impedidores para você ser feliz. Pesquise as suas crenças e veja - de mente aberta - tudo o que é infundado e limitante.

Movimente a sua vida, valide a sua existência!

METODOLOGIA PARA CRIAR O DIA:
(Tradução do texto de Joseph Dispenza)

Ao acordar, conscientemente crio o meu dia, do jeito que desejo que seja. Dou-me um espaço e a minha mente examina as coisas que eu posso fazer até que eu chegue num ponto que me interessa, que é a intenção da criação do meu dia. Após criar o meu dia, pequenas situações inexplicáveis acontecem. Sei que são o processo e o resultado da minha criação.
E, quanto mais faço isso, mais uma rede neural vai se construindo, fazendo-me aceitar que é possível. Dando-me o poder e o suporte que me incentiva a repetir tudo no dia seguinte.
(Torna-se então um padrão. Deste modo nos abrimos à possibilidade suprema de decifrarmos as diferenças criadas nos nossos dias).
Estou consciente de que a todo instante eu estou desenhando o meu destino.
Do ponto de vista espiritual, estou conscientemente aceitando as idéias de que os nossos pensamentos afetam a nossa realidade e assim a nossa vida. Porque a realidade é igual à vida. A vida que criamos.
Estou tirando esse tempo para criar o meu dia, portanto afeto o campo quântico das múltiplas possibilidades de modo consciente.
Então faço um pacto quando crio o meu dia:
Se existem de fato observadores, como eu mesmo o sou, e se estão me acompanhando todo o tempo da minha criação; se existe um aspecto espiritual em mim, então me mostrem um sinal de que eu criei e façam com que aconteçam situações do jeito que espero, e que eu possa me surpreender com a minha habilidade de sentir essas coisas e que eu não tenha dúvidas que isso vem de vocês.


Temos que mudar o que desejamos e nos concentrarmos totalmente nesse intento a ponto de perdermos a consciência de quem somos. A ponto de perdermos a noção do tempo. A ponto de perdermos a noção de identidade.
No momento em que estamos totalmente envolvidos nessa experiência, perdemos a noção de quem somos e aquilo que estamos sendo é a única coisa real. (Todos já passaram por essa experiência quando puseram algo em suas cabeças, quando quiseram algo intensamente).
- Este é o observador em pleno efeito. Esta é a Física Quântica atual, na prática.
- Você é o co-criador de seu futuro.

COMPLEMENTO DA CRIAÇÃO PESSOAL - SOMENTE PARA HOJE:
- Vou conhecer pessoas extraordinárias.
- Terei um encontro com o incomum.
- Estarei ciente de novas possibilidades as quais nunca imaginei.
- Rompo com todos as minhas dependências emocionais e me abro para o novo.
- E por tudo isso eu estou em êxtase por esse dia.




:: Silvia Malamud ::

sábado, 18 de junho de 2011

Angústia



a angústia é o extremo da  dor na solidão, quando nos apercebemos que a nossa dor, seja ela qual fôr, não é  compartilhada, mesmo que a compartilhemos ...

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Believe

Saudade




saudade

saudade da minha casa
do aconchego
do calor
da Luz,
que aquecia
que me acalentava

me protegia
me fazia sentir segura
me fazia sentir na Paz

na alegria constante de Ser
de existir

de ser amada
sempre

de me sentir, como nunca aqui senti
nem sequer uma única vez

de sentir que faço parte de algo grandioso que só se entende
quando se está, aí, em casa, e junto a Ti

dos jardins encantados
das flores inebriantes

das multicores que só aí se sentem

olhando o céu,sentindo o vento bater no meu rosto, cabelos

vendo as árvores esvoaçar
os pássaros livres
 a pureza da chuva caindo no meu rosto

e que me trazem a saudade que sinto de Ti
sempre senti

desde que estou aqui ....

sózinha

aguardando que chegue a derradeira hora
a saborosa
a anestesiante
a desejada hora 
de me reunir a Ti

DEUS



Analuz







Uma música com significado

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Porque fomos crianças, quando tudo começou ...


porque quando aqui chegamos, puros, na ilusão de que o nosso caminho seria a continuidade da pureza, da ingenuidade, e da simples e singela alegria interior, e porque todos nós nos enganámos... aqui deixo imagens dessa idade que, penso eu, a única onde viviamos realmente alegres e puros ....

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