Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia da ALMA. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia da ALMA. Mostrar todas as mensagens

domingo, 11 de setembro de 2011

José Saramago - Poema à boca fechada



Poema à boca fechada


Não direi:

Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,

Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:

Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,

Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,

Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.
 

terça-feira, 26 de outubro de 2010

VELHICE - A SABEDORIA


A Velhice é um Vento

A velhice é um vento que nos toma
no seu halo feliz de ensombramento.
E em nós depõe do que se deu à obra
somente o modo de não sentir o tempo,
senão no ritmo interior de a sombra
passar à transparência do momento.
Mas um momento de que baniram horas
o hábito e o jeito de estar vendo
para muito mais longe. Para de onde a obra
surde. E a velhice nos ilumina o vento.

Fernando Echevarría, in "Figuras"

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Florbela Espanca

                                                   Angústia
 

Tortura do pensar! Triste lamento!
Quem nos dera calar a tua voz!
Quem nos dera cá dentro, muito a sós,
Estrangular a hidra num momento!


E não se quer pensar! ... e o pensamento
Sempre a morder-nos bem, dentro de nós ...
Querer apagar no céu – ó sonho atroz! –
                          O brilho duma estrela, com o vento! ...

                          E não se apaga, não ... nada se apaga!
                          Vem sempre rastejando como a vaga ...
                        Vem sempre perguntando: “O que te resta? ...”
                           Ah! não ser mais que o vago, o infinito!
                               Ser pedaço de gelo, ser granito,
                               Ser rugido de tigre na floresta!
 

Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"

Tarot de OSHO clik

Se gosta de ERVAS e ESPECIARIAS CLIK

Se lhe interessa a NOVA ERA Clik

Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia da ALMA. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia da ALMA. Mostrar todas as mensagens

domingo, 11 de setembro de 2011

José Saramago - Poema à boca fechada



Poema à boca fechada


Não direi:

Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,

Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:

Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,

Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,

Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.
 

terça-feira, 26 de outubro de 2010

VELHICE - A SABEDORIA


A Velhice é um Vento

A velhice é um vento que nos toma
no seu halo feliz de ensombramento.
E em nós depõe do que se deu à obra
somente o modo de não sentir o tempo,
senão no ritmo interior de a sombra
passar à transparência do momento.
Mas um momento de que baniram horas
o hábito e o jeito de estar vendo
para muito mais longe. Para de onde a obra
surde. E a velhice nos ilumina o vento.

Fernando Echevarría, in "Figuras"

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Florbela Espanca

                                                   Angústia
 

Tortura do pensar! Triste lamento!
Quem nos dera calar a tua voz!
Quem nos dera cá dentro, muito a sós,
Estrangular a hidra num momento!


E não se quer pensar! ... e o pensamento
Sempre a morder-nos bem, dentro de nós ...
Querer apagar no céu – ó sonho atroz! –
                          O brilho duma estrela, com o vento! ...

                          E não se apaga, não ... nada se apaga!
                          Vem sempre rastejando como a vaga ...
                        Vem sempre perguntando: “O que te resta? ...”
                           Ah! não ser mais que o vago, o infinito!
                               Ser pedaço de gelo, ser granito,
                               Ser rugido de tigre na floresta!
 

Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"

Caclule seu bioritmo - CLICK

TAROT DA CRUZ - Clik P/JOGAR






DIVULGANDO O LIVRO DE MARIA ALICE CERQUEIRA

Livro: "DOIS JOVENS EM BUSCA DA FELICIDADE " de uma amiga visite seu blog- clique na imagem

Livros grátis para download - todos os géneros

Blog Ebooks Grátis

Reflexão surpresa - clik

Reflexão surpresa - clik
de: SIMONE: Auto-ajuda

Acenda a sua vela

Acenda a sua vela
clik na imagem: